Folha tira casquinha com citação de jornais do Grupo Estado em declaração de Odebrecht

A Folha de São Paulo resolveu tirar uma casquinha com a declaração feita pelo empresário Emílio Odebrecht sobre o relacionamento do grupo Odebrecht com a mídia.

Ano passado, porém, a Folha promoveu seu aniversário no auge da Lava Jato com um debate sobre jornalismo patrocinado pela Odebrecht. Jornalistas como William Waack, Fausto Macedo, Eurípedes Alcântara e Renata Lo Prete desistiram de participar.

Isso a Folha lembra?

No livro ‘Notícias do Planalto’, de Mário Sergio Conti, há um conselho de Octávio Frias para Frias Filho sobre o relacionamento que o herdeiro da Folha deveria ter com a família Mesquita, herdeira do Estadão: ‘Não assuma como suas as disputas e rancores de outras gerações’.

Não que queiramos insinuar alguma coisa. Afinal, todos sabemos que a Folha promoveu um jornalismo impecável durante o petismo no poder e os desdobramentos da Lava Jato. 🙂 🙂 🙂

Na Folha:

Nossas ajudas à imprensa, sem dúvida nenhuma, nós colocávamos: ‘Meu filho, você tem de defender também as coisas… Não quero que você esteja tolhido de dar as informações, mas não explore as informações. São coisas diferentes”, afirmou.

Ele diz que “essa sempre foi uma conversa que eu tive institucional com todos, porque as ajudas sempre existiram para todos os veículos”.

“Olhe, o único que eu não me lembro se houve nenhuma ajuda direta foi a Globo. O resto com certeza nós já tivemos [ajuda] de uma forma ou de outra.”

Ele diz que essas ajudas eram feitas por meio do adiantamento de compra de espaço publicitário ou na escolha dos veículos que divulgariam os balanços da empresa.

“Por exemplo, fazer uma divulgação de um balanço que não fazíamos normalmente num determinado veículo. A legislação não obriga a fazer em todos. Eu posso ampliar a mais um.”

Em outro momento do depoimento, quando os investigadores voltam a questioná-lo sobre ajuda a outros veículos além da “Carta Capital”, Emílio Odebrecht repete:

“Foi ao Estadão várias vezes, começa na época do Julio Mesquita ainda. Era dificuldade momentânea dos veículos. ‘Jornal do Brasil’, quantas vezes teve…”

Neste momento, um advogado o interrompe: “Nesses casos os meios de comunicação iam diretamente à empresa…”.

Emílio retoma: “Perfeito, chefe, a diferença está aí. ‘Gazeta Mercantil’ era direto: ‘Emílio, estou precisando’. Era privado com privado. Aí [no caso da ‘Carta Capital], [o pedido] teve origem, é diferente”

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