FLAGRA: Vejam como a FOLHA manipulou o processo de Lula em reportagem contra sua condenação

A Folha de São Paulo publicou hoje, como reportagem, a opinião de Estelita Hass Carazzai em que são endossadas as teses da defesa do ex-presidente Lula, que em breve será condenado no processo da Lava Jato que trata do tríplex no Guarujá. Chamar aquilo de artigo de opinião da jornalista é a forma mais benevolente de tratar o texto. Como pode ser visto abaixo, toda a opinião de Estelita publicada sob a chamada “Ação contra Lula dirá se indício pode condenar” é baseada numa clara omissão do documento que ela toma por base para afirmar que o que se está julgando é a admissibilidade de indícios para condenação.

Vejam o que ela publicou, citando as alegações finais do MPF:

“ou se confere elasticidade à admissão das provas da acusação e se confere o devido valor à prova indiciária, ou tais crimes, de alta lesividade, não serão jamais punidos e a sociedade é que sofrerá as consequências.

Agora, vejam o que ela omitiu, em negrito:

A Ministra bem diagnosticou a situação: em crimes graves e que não deixam provas diretas, ou se confere elasticidade à admissão das provas da acusação e se confere o devido valor à prova indiciária, ou tais crimes, de alta lesividade, não serão jamais punidos e a sociedade é que sofrerá as consequências

Cliquem nas imagens para ampliar:

Como Estelita Hass recortou as alegações finais do MPF – Clique para ampliar

Trecho do documento original do MPF, sem o recorte da jornalista. Clique para ampliar

Parece pouca coisa, mas não é. Não é uma afirmação do MPF, mas a citação da manifestação de Rosa Weber diante da AP 470, o Mensalão. Este ponto, contido na seção “3.1.1 Crimes complexos e prova indiciária”, tem o seguinte parágrafo inicial:

Antes de se passar à análise das provas, para, a partir delas, concluir pela presença de juízo de convicção, suficiente para uma condenação criminal, da existência dos crimes e da sua autoria, é necessário, ainda que brevemente, abordar algumas premissas teóricas relevantes.

Ou seja, mesmo no ponto em que os procuradores tratam das provas indiciárias eles lembram que elas são acessórias para as provas de fato. Mais ainda, o ponto específico que a jornalista da Folha recortou vem em meio a uma série de citações a reforçar a tese de que, para alguns crimes, os indícios ajudam a compor as provas – na peça do MPF eles citam, além de Rosa Weber, manifestação de Ricardo Lewandowski.

Para ficar mais clara a má vontade da jornalista, vejam a estrutura do documento completo do MPF e entendam como a questão das provas indiciais são apenas uma parte, não o núcleo muito menos o elemento mais forte do pedido de condenação (Aqui pode ser baixado e lido o arquivo com as alegações finais do MPF):

1. Relatório

2. DAS PRELIMINARES
2.1. Da alegada inépcia da denúncia
2.2. Do pedido de sobrestamento por questão judicial homogênea
2.3. Da alegada ofensa ao princípio do promotor natural
2.4. Do alegado cerceamento de defesa
2.5. Da alegada nulidade do depoimento prestado por ROBERTO
MOREIRA ao Ministério Público Federal
2.6. Da contradição das testemunhas colaboradoras

3. DO MÉRITO 
3.1. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
3.1.1. Crimes complexos e prova indiciária
3.1.2. Modernas técnicas de análise de evidências
3.1.3. Standard de prova
3.1.4. Autoria no contexto da nova criminalidade

3.2. CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA
3.2.1. Pressupostos teóricos
3.2.1.1. Distinção entre as condutas de corrupção e o delito de
concussão
3.2.1.2. Pressupostos teóricos fixados pelo STF quanto aos crimes
de corrupção – questão dos atos de ofício
3.2.2. Corrupção ativa e passiva no caso concreto: provas de materialidade
e autoria

3.3. LAVAGEM DE ATIVOS
3.3.1. Pressupostos teóricos
3.3.1.1. Da tipologia dos crimes de lavagem denunciados
3.3.1.2. Do crime de lavagem em relação ao crime de corrupção
passiva
3.3.1.3 Do dolo no crime de lavagem de dinheiro – admissão do
dolo eventual
3.3.1.4. Dos crimes antecedentes
3.3.2. Dos suficientes indícios quanto aos crimes antecedentes
3.3.3.1. Da lavagem de dinheiro por intermédio da aquisição,
personalização e decoração de triplex no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
3.3.3.1.1. Da lavagem de dinheiro por intermédio da aquisição do
triplex 164-A no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
3.3.3.1.1. Da lavagem de dinheiro por intermédio da aquisição do
triplex 164-A no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
3.3.3.1.2. Da lavagem de dinheiro por intermédio da personalização
do triplex 164-A no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
4.3.3.1.3. Da lavagem de dinheiro por intermédio da decoração do
triplex 164-A no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
3.3.3.1.4. Da síntese das provas de autoria dos delitos de lavagem
de dinheiro por intermédio da aquisição, personalização e decoração do triplex
164-A no Condomínio Solaris no Guarujá/SP
4.3.3.2. Da lavagem de capitais mediante o pagamento, com
proveito dos crimes antecedentes, do armazenamento de bens do acervo
documental privado do ex-Presidente LULA

4. DOSIMETRIA DA PENA
4.1. Circunstâncias judiciais enumeradas no artigo 59 do Código
Penal: fixação da pena base
4.2. Agravantes e atenuantes
4.3. Causas especiais de aumento da pena
4.4. Pena final
4.5. Disposições especiais
4.6. Considerações finais da dosimetria

5. REQUERIMENTOS FINAIS

A jornalista não disse a verdade ao tratar a questão dos indícios como determinantes, manipulou o trecho que provaria sua tese e, por fim, não deixou claro que a citação recortada por ela se referia a apenas um tipo de crime que pode levar Lula à condenação.

Por que ela fez isso? Por que isto foi colocado como reportagem e não como opinião? A Folha e a jornalista que se expliquem.

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5 comentários para “FLAGRA: Vejam como a FOLHA manipulou o processo de Lula em reportagem contra sua condenação

  1. maismimi

    O Lulalá se reuniu com o Joesley e o Cunha para tratarem do impeachament, dez dias depois o Cunha colocou o processo que cassou a Dilma. Quem tramou o golpe???? Será que era uma jogada para o Lulalá voltar com a queda do poste???
    Em política a única coisa que pode acreditar é que todos mentem!!!!!

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