Fique por dentro do que está acontecendo na Venezuela – por Emma Amaya

Trazemos um artigo que explica, resumidamente, o que são os protestos na Venezuela e quais têm sido as reações a ele. Especialmente enviado para o nosso site e com a tradução realizada por Lourival Filho, serve para situar as pessoas, ainda mais pela pouca importância e clareza com que os fatos ocorridos por lá têm sido relatados pela nossa imprensa.

Como e por que começaram os protestos?

Os protestos na Venezuela, chamados 12F, são uma série de manifestações convocadas no último dia 12 pelos líderes da oposição venezuelana María Corina Machado e Leopoldo López, juntamente com estudantes universitários contra o governo do bolivariano Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chavéz. A principal motivação é a insatisfação com a violação dos direitos civis, a escassez crônica de produtos e altos níveis de violência contra a população por grupos armados do regime.

O presidente Nicolás Maduro também convocou seus partidários e anunciou que as manifestações “sem permissão” estavam proibidas após os atos de violência no país. Isso ocorre porque a lei venezuelana exige uma autorização municipal para qualquer manifestação pública. Nicolas Maduro lembrou os meios de comunicação que a transmissão de imagens violentas está proibida pela Lei de Responsabilidade Social de Rádio e Televisão. Como consequência disso, o sinal da TV a cabo do canal internacional NTN24 foi bloqueado por estar “enviando mensagens e imagens que incitam a violência” sem o conhecimento do regime, o que foi confirmado pelo próprio Maduro que também acusou a agência internacional AFP de estar à frente de uma manipulação da mídia.
Pela TV Nacional, durante a comemoração do bicentenário da Batalha de La Victoria, Maduro ordenou militarizar as principais cidades do país e assegurou que os protestos eram parte de um “golpe de estado” e prometeu justiça para os crimes que ocorreram.

O governo reprime violentamente os manifestantes

Até hoje acorrem marchas convocadas por líderes políticos e estudantis em 38 cidades, com a presença maciço de pessoas contra e a favor do Regime.

Em Caracas, ao final do horário de expediente no Ministério Público deu-se início a um confronto entre os guardas e os manifestantes que terminou em feridos. Houve troca de tiros entra vários grupos. Maduro culpa os adversários pela violência, já a oposição acusa os coletivos armados e as guerilhas do regime.

O Fórum Penal venezuelano afirmou que Polícia Nacional Bolivariana (PNB) manipulou evidências do uso de arma de fogo contra manifestantes na cidade de Barquisimeto, capital do estado de Lara para não ser incriminada.

Durante distúrbios noturnos no município Chacao de Caracas, o estudante Robert Redman morre uapós ser baleado por desconhecidos.

Durante hoje (16), oficiais de polícia executaram um mandado de prisão do líder de oposição Leopoldo López, mas felizmente não o encontraram. É relatado que um tribunal, a pedido do Ministério Público, ordenou sua prisão acusando-o de vários crimes, incluindo terrorismo, incitamento à prática de crime, danos materiais e homicídio.

O governo censura e ataca na internet

Em Caracas, usuários da rede social Twitter informam que não podem exibir imagens pois o regime bloqueou. O Site Twitter Inc. também informou seu bloqueio ao governo da Venezuela.
A conta de Twitter NTN24 Venezuela (@ NTN24ve) foi ‘ Hackeada ‘ por pessoas ligadas ao regime.

O que dizem as autoridades e entidades?

O ex-presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchez afirma que o regime venezuelano “reprime a crítica e a dissidência.”

O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que a Colômbia deve “acompanhar o grito democrático da Venezuela, hoje ensanguentado e pisoteado pelas ditaduras chavista e Castrista.”

O Movimiento Nacional Independentista Hostosiano de Porto Rico respaldou o regime de Nicolás Maduro ao qual chamou de “ameaça iminente de golpe de estado.”

A Anistia Internacional pediu que a Venezuela investigue urgentemente a morte de três pessoas durante os protestos em 12 de fevereiro.

O Partido Comunista do Chile se solidarizou com o regime venezuelano e condenou as manifestações de golpistas.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, rejeitou a violência durante os protestos e pediu para cessarem o confronto e iniciarem um amplo diálogo com o respeito pela lei e convivência. Também pediu para investigar de maneira “verdadeira, objetiva e transparente” as mortes durantes os protestos.

A União Europeia disse que continua preocupada com a situação na Venezuela e pediu diálogo pacífico entre as partes. Em um comunicado também salientou que “a liberdade de expressão e o direito de participar em manifestações pacíficas são essenciais.”

ALBA: Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) rechaçou a violência e manifestou seu apoio ao regime de Maduro.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu ao Regime venezuelano para processar os responsáveis por ataques aos manifestantes anti-governo e que os punam com sanções adequadas.

Equador: o governo do Equador condenou a violência e expressou solidariedade através de um comunicado de sua chancelaria.

Bolívia: o governo boliviano acusou a oposição venezuelana de golpista.

Cuba: o Ministério das Relações Exteriores condenou a oposição venezuelana por tentativa de golpe e manifestou apoio a Maduro.

Nicarágua: acusou a “direita fascista” pela violência e manifestou apoio à Maduro.

Argentina: Manifestou o seu apoio Maduro e considerou a oposição de desestabilizadora e golpista.

Paraguai: Eladio Loizaga, chanceler do Paraguai, que estava na Venezuela para fortalecer as relações bilaterais, disse após uma reunião com Elias Jaua, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, “não acompanhar qualquer tipo de violência”, mas “processos democráticos.”

EUA: o Departamento de Estado pediu respeito à liberdade de expressão, aos direitos humanos e diálogo na Venezuela.

Costa Rica: o governo da Costa Rica lamentou a violência, instou as autoridades venezuelanas para que “investiguem e descubram os responsáveis pelas vítimas e feridos”, e acrescentou que existe a esperança de que “consigam um via de solução pelo diálogo e compreensão.”

Panamá: o chanceler Francisco Alvarez de Soto, disse que seu governo está preocupado com a situação da Venezuela e entende que é um processo interno, mas faz votos de paz e que se respeitem os direitos humanos, a tolarância e o diálogo.

Colômbia: o governo colombiano através de uma declaração lamentou a violência e expressou condolências às famílias, ao povo e ao governo venezuelano. Também fez um chamado pelo diálogo e disse que a estabilidade da Venezuela é importante para a Colômbia, a própria Venezuela e a região.

O secretário-executivo da coalizão de oposição Mesa de la Unidad Democrática, Ramon Guillermo Aveledo rejeitou a violência e disse: “são dias de luto”.
O MUD (sigla de) e da Conferência Episcopal da Venezuela ( CEV) pediu para os coletivos e os grupos guerrilheiros sejam desarmados.

Os protestos vão continuar

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Em El trigal, carros foram incendiados e a Guarda Nacional dispersou a manifestação violentamente com mortos e feridos.

Estudantes entregaram um documento para a sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) na Venezuela para pedir que a agência tome medidas após os acontecimentos violentos que ocorreram em 12 de fevereiro.

Leopoldo López e Maria Corina Machado acusaram Maduro acusado de suspender garantias, não respeitar os direitos humanos e pedem que os protestos continuem.

Emma Amaya é socióloga, psicóloga, dissidente do regime e atualmente encontra-se no exílio.

10 comentários para “Fique por dentro do que está acontecendo na Venezuela – por Emma Amaya

  1. Rebeca

    Excelente Emma, es el mejor artículo que he leído en un lugar fuera de mi hermosa VENEZUELA. Tienes conocimiento sobre la situación, excelente redacción y ALMA para sentir todo lo que manifiestas en tu escrito.
    BRAVO AMIGA QUERIDA, ERES ASÍ >>>> GRANDE DE CORAZÓN Y SENTIMIENTOS POR LO QUE AMAS Y A LO QUE TE DEDICAS. ORGULLO VENEZOLANO

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    • Clodoaldo jr.

      Triste ver a América latina cada vez Mais politicamente retrógrada e violenta, o governo de maduro sendo aplaudido no foro de são paulo. E o lula lançando videos do youtube defendendo o governo venezuelano, nojento mesmo.

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  2. danir

    Tudo muito triste. Na verdade é um ensaio do que pretendem para o Brasil. Qualquer pessoa que hoje vote no pt ou nos outros partidos de esquerda, é na minha opinião burro, cego, mau intencionado ou um acomodado totalmente alheio ao que se passa ao seu redor. Estamos diariamente sendo espremidos por leis absurdas, pela estratificação da sociedade em compartimentos que se digladiam em nome de ideologias espúrias e pela ação nefasta de baderneiros e criminosos. Roubo, violência, intolerância e incompetência, como se fosse uma reedição dos tempos da Segunda Guerra Mundial na Europa. Parece que ninguém aprendeu nada. Algumas pessoas me criticam quando eu digo que vou votar no PSDB, com os pretextos mais variados: é tudo a mesma coisa, são representantes da burguesia(?), privatizaram tudo, o Serra é antipático, o fulano é isso o beltrano é aquilo. Bobagem. Para que este estado de coisas mude, serão precisos muitos anos e muitas eleições. Mas, o fato importante, é que o quadro político de melhor qualidade existente no Brasil nos dias de hoje é o PSDB. Se e quando voltarem ao poder deverão ser fiscalizados e os cidadãos deverão exercer sua capacidade de crítica e reivindicação. São só a opção melhor NESTE momento. Temos que tomar cuidado com o que nossos filhos estão aprendendo nas escolas e mostrar-lhes outras opções para que aprendam a pensar por conta própria, que tenham valores morais firmes e não corrompidos por apelos ideológicos e capciosos. Precisamos formar cidadãos de primeira classe para poder tirar do poder o lixo da cidadania que lá está aboletado. Votar com consciência é só uma parte do jogo, fiscalizar, denunciar o que está errado, ser honesto e firme nas atitudes, buscar o mérito e a capacitação, ser formador de opinião em casa, no clube, na escola, em qualquer lugar onde uma palavra possa ajudar a mudar o estado de coisas fazem parte também desta atitude. A opção é ver o pais em que vivemos se transformar em uma república de ladrões quadrilheiros onde a vida não vale nada e a palavra cidadania não tem significado. Eu acredito piamente que vale a pena lutar por esta causa, mesmo que alguém me chame de chato. Num ambiente onde o ateísmo, o preconceito e a falta de moralidade predominam, não tenho vergonha de mostrar a cara a afirmar minha opção pela civilização e pela moral Judaico-Cristã. Espero que a Venezuela, a Bolívia, a Coreia do Norte, a Argentina, Cuba, e todos os países onde se instalou o totalitarismo sejam abençoados com os ventos da mudança.

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