FHC, o arauto da ‘pós-mentira’

Todos que combateram o lulopetismo se viram em algum momento resgatando dados do governo FHC para contrastar com as mentiras do PT. Antes de se tratar propriamente de uma defesa do governo tucano, era uma necessidade contra a mistificação e falsificação dos dados econômicos e sociais dos últimos anos da história brasileira.

Involuntariamente contribuímos para um certo resgate da imagem de FHC durante o petismo, um presidente impopular que não conseguiu fazer o sucessor, cujo governo foi permeado por escândalos na base aliada, nos ministérios e até dentro do gabinete presidencial.

Desde aqueles tempos, a imprensa já expunha que tanto a campanha de eleição como de reeleição do ex-presidente FHC foram recheadas com propinas e caixa dois. Expediente das campanhas que hoje vem à tona com a Operação Lava Jato. Na época, o TSE aprovou as contas e o clima político não permitia que os órgãos competentes investigassem as denúncias, tudo ia para o gavetão. O discurso político estava dado: ‘todas as contas foram aprovadas’.

Saiba mais >>> Caixa dois na eleição e reeleição de FHC

O verniz que foi posto em FHC permite que ele seja visto com um ator político diferenciado. Superfaturado. Deputados tucanos que publicamente contrariam FHC acabam sendo repreendidos pela direção nacional do partido por um homem que não tem voto. O impeachment e as alterações no fator previdenciário contaram com embates públicos entre a bancada tucana na Câmara e no Senado, além declarações dos deputados tucanos contra os senadores e o ex-presidente FHC.

Sendo assim, vamos a três casos recentes em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mentiu descaradamente com propósitos políticos. Na defesa de Aécio Neves, inclusive, chegou a usar o expediente político da ‘pós-verdade’, uma farsa globalista usada para censurar a opinião pública (não somente sites não alinhados com a grande imprensa). Vamos então dizer que FHC é um arauto da ‘pós-mentira’:

1 – Pediu para cassar o mandato do deputado Jair Bolsonaro por ter chamado seu ministro de ‘ladrão de servidores públicos’ e disse que nunca mandou cassar deputados

O ex-presidente FHC participa de um movimento destinado a salvar o mandato do deputado Jean Wyllys (PSOL), que pode ser cassado por ter cuspido em Jair Bolsonaro (PSC). Além de assinar um manifesto, FHC também publicou nas redes uma defesa do socialista.

FHC diz que:

‘Eventuais excessos verbais ou gestuais cometidos – se é que existiram – devem ser resolvidos no âmbito parlamentar, com a supressão de referências a eles nos Anais da Câmara, nunca, porém apelando-se à violência da cassação ou suspensão de mandatos.”

Agora, vejam o que diz FHC em seus Diários da Presidência, Vol. 1, página 106, grifos nossos:

O Bresser foi profundamente ofendido por um tal de [Jair] Bolsonaro, que, segundo me dizem, foi capitão e é deputado. Isso não é aceitável. Já disse de forma muito enérgica que não posso concordar. Pedi aos líderes, na reunião que tivemos ontem no ministério, que levassem adiante o processo de cassação dele [Bolsonaro] por falta de decoro, porque acho que o governo tem que reagir a esse tipo de ação.”

Além de duvidar da existência da cusparada (registrada em vídeo), FHC também diz que nunca pediu para cassar adversários. Diz FHC na mesma nota:

Recordo que no exercício da Presidência da República houve um deputado [Bolsonaro] que, da tribuna, propôs meu fuzilamento, por discordar de decisões minhas e de minha orientação política. Jamais incentivei qualquer tentativa de restringir sua ação ou cassar seu mandato, nem mesmo tomei qualquer providência jurídica eventualmente cabível.

Saiba mais >>> Para defender Jean Wyllys, FHC mente e contradiz o próprio diário

Ou seja, FHC mente descaradamente e contradiz o próprio diário para defender Jean Wyllys.

2 – FHC mente sobre doadores de seu Instituto

A Operação Lava Jato revelou que a Odebrecht é uma das financiadoras do Instituto FHC, perguntado pelo jornal O Globo se empreiteiras envolvidas no escândalo doaram ao seu instituto, FHC disse que não sabia.

É possível (e bem improvável) que FHC não saiba quem são os doadores do IFHC, mas é inadmissível a fala do ex-presidente porque a Odebrecht não é uma simples doadora, ela possui título de COFUNDADORA do IFHC. A Odebrecht também é patrocinadora do Centro Ruth Cardoso, uma instituição fundada recentemente.

FHC adotou com maestria a ‘Lei de Ricupero’. Seu ex-ministro Rubens Ricupero foi flagrado no que ficou conhecido como o ‘Escândalo da Parabólica’ dizendo: “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.”

Saiba mais >>> FHC, o mentiroso

3 – A nota pública de FHC defendendo Aécio Neves

FHC diz que deve-se diferenciar caixa dois para campanha de caixa dois para usufruto pessoal. É a mesma desculpa usada por Lula e seus companheiros para diminuir a gravidade do Mensalão. Segundo FHC, caixa dois para campanha é apenas “erro que deve ser reconhecido” enquanto o outro caso é “crime puro e simples.”

Fizemos um texto ponto a ponto sobre a nota de FHC. Leia aqui >>> A comprometedora nota pública de Fernando Henrique Cardoso

FHC manipula informações para propósitos políticos. É, portanto, um arauto da pós-mentira.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Prisoner of PT

Obs.: ‘Pós-verdade’ e ‘pós-mentira’ fazem parte do vocabulário de filhos da puta, mas foram necessários no texto.

Revisado por Maíra Pires @mairamcpires

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2 comentários para “FHC, o arauto da ‘pós-mentira’

  1. Bruno

    Olá. Uma informação errada no texto diz:
    FHC adotou com maestria a ‘Lei de Ricupero’. Seu ex-ministro Rubens Ricupero foi flagrado no que ficou conhecido como o ‘Escândalo da Parabólica’ dizendo: “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.”
    Rubens Ricupero não foi ministro de FHC, foi de Itamar Franco (1992-95), quase 1 ano em 1994. Caiu fora do governo três dias depois da denúncia e o Governo FHC iniciou em 1995.

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  2. Pedro Rocha

    Desse mal eu não sofro, pois não me lembro de ter defendido o desgoverno THC, mas apenas as privatizações.

    No 2º turno de 2002, anulei meu voto porque desde essa época não via diferença entre PSDB e PT, lembrando que Serra à época tinha um discurso abertamente abortista, algo que Lula nunca teve.

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