Em SP, Bloco celebra o carnaval homenageando regime genocida

Um grupo de pessoas formado em sua maioria por brancos de classe média alta (*) foi às ruas de São Paulo neste sábado curtir o carnaval em um bloco carnavalesco que não se importava em portar símbolos com referências ao maior mal político do século XX: o comunismo.

Nas palavras deles, o Bloco Soviéticonasceu com um grupo de twitteiros (e comunistas) que queriam levantar bandeira também nos dias de folia”.(1)

Um dos temas prediletos nas fantasias de foliões eram homenagens à ditadura cubana. Apesar deste regime ter criado centros de reeducação para homossexuais, a Universidade de Havana ter sido palco de “depurações anti-homossexuais” em que julgavam gays e os faziam reconhecer seus vícios antes de serem presos, parece que não havia no bloco nenhuma restrição a homossexuais – o que em Cuba seria motivo para prisão de todos os foliões. Embora Cuba comunista tenha condenado mais de mil e cem mulheres por “motivos políticos” desde a revolução, as prisões femininas terem relatos como o de Martha Frayde(2), onde sabe-se que num espaço de 30m2 ficavam 42 presas políticas dividindo apenas uma “tina” para se lavarem, algumas marchinhas faziam alusão à luta por direitos das mulheres. Tudo isto ao lado de pessoas prestando homenagens a Che Guevara, Fidel Castro e outros criminosos da história em suas fantasias. Num dos posts do evento(3), lê-se:

O fato é que o que nós não somos um grupo político, mas sim um conjunto de pessoas com afinidades ideológicas e de humor. Nossa inspiração são fatos históricos, bem como questões atuais. A gente canta a Internacional e hinos clássicos da esquerda mundial, mas também temas da nossa política atual e questões sociais que consideramos importantes, como o machismo e o respeito à diversidade sexual.

Pois é…

Muitas piadas foram feitas por membros do Bloco, alguns velhos conhecidos de edições do DCEzão, envolvendo Stálin e Lênin, ditadores cujos expurgos, deportações e mortes por inanição provocadas contra suas próprias  populações desarmadas totalizam uma montanha de defuntos que ultrapassa em muito as vítimas do nazismo. Os membros do Bloco, nisto, deveriam ouvir o prefeito que tanto admiram e chamam de “prefeitão” : “Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença“.(4)

Não consta que o Bloco, tendo como pano de fundo a inspiração política, tenha cantado marchinhas falando do Petrolão ou dos muitos escândalos que afundam o PT e levam todos os brasileiros a debater política no cotidiano. Quanto à política contemporânea nacional, o Bloco era totalmente alienado.

Eram esperadas cinco mil pessoas no evento de acordo com organizadores e publicação no Facebook mas, de acordo com a PM, havia apenas 200 pessoas – os organizadores dizem ter contado duas mil. Ainda assim, o Bloco foi muito comentado no Twitter, mesmo antes de ocorrer. Foi criada uma conta-espelho no Twitter em que algumas piadas macabras envolvendo a ditadura soviética feitas por entusiastas do Bloco eram transformadas em piadas com a ditadura militar brasileira.

Após se divertirem celebrando macabramente a história desse regime, alguns participantes do Bloco ficaram ofendidos com piadas que foram feitas sobre o evento e alguns de seus participantes em redes sociais. Aqueles que se divertiram com um tema que evoca gravíssimos crimes contra a humanidade acharam falta de respeito que outras pessoas se divertissem com a imagem e opinião deles.

sovietico

(*) Obviamente pouco importa a cor da pele ou condição social dessas pessoas. Esta informação está ali colocada apenas como homenagem ao vício do jornalismo tendencioso praticado e celebrado por muitos entusiastas do bloco.

LINKS e citações:

(1)http://temquesaberateocarnaval.tumblr.com/post/73728161726/8-tem-que-saber-que-sao-paulo-tem-o-seu-proprio

(2) Martha Frayde, Écoute Fidel, 1987;

(3) https://www.facebook.com/BlocoSovietico/photos/a.558839647473896.129106.558665164158011/941448702546320/?type=1

(4) http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/haddad-explica-por-que-prefere-o-modo-stalin-de-matar-ao-modo-hitler/

(5) Conheçam o Holodomor: http://reaconaria.org/colunas/dacia/holodomor-80-anos-de-um-terrivel-genocidio-comunista/

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9 comentários para “Em SP, Bloco celebra o carnaval homenageando regime genocida

    • Beto

      Má óia só, quanta desfaçatez da nossa “elite dominante”, não? O comunismo só assassinou 10 vezes mais gente inocente que os nazi, isso contando por baixo. Mas os nossos “vermelhinhos” fingem que não sabem e que isso nada tem a ver com eles.

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