EDITORIAL: PSC, DEM e Centrão precisam enfrentar a união entre o PSDB e o PMDB

pauloap

Existe uma tensão na Câmara dos Deputados entre o Centrão e o DEM.

O DEM, por ter sido o maior aliado do PSDB durante o lulopetismo, se contrapôs ao interesses do Centrão. Não apoiou Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara e não apoiou André Moura (PSC) como líder do governo Temer. O Centrão, em contrapartida, não apoiou Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara, tendo lançado um candidato próprio, Rogério Rosso (PSD).

Rodrigo Maia, como candidato, teve que buscar votos até no grupo ‘Construindo um Novo Brasil’, corrente majoritária do PT, para derrotar o Centrão. Já os grupos menores do PT apoiaram Orlando Silva (PCdoB), cuja candidatura também serviu de linha auxiliar do DEM para desidratar os votos da esquerda na Câmara.

Já Rodrigo Maia, como presidente, trabalhou nos bastidores para destituir André Moura como líder do governo. O Centrão reagiu e obrigou Michel Temer a frear os movimentos do presidente da Câmara.

Eduardo Cunha (PMDB) unificou o Centrão e venceu o PSB, o PSDB e o PT para conquistar a presidência da Câmara. Eleito, impôs seu ritmo de trabalho aos derrotados e pautas indigestas para os progressistas da Casa.

Em suma, o Centrão é um polo importante de poder e hoje tem tudo para ser esfarelado sob o guarda-chuva de diferentes tons de progressismo.

O Painel da Folha (14/10) informa que o PMDB e o PSDB trabalham para atuar em conjunto e formar um novo núcleo de poder e estabilidade política no Brasil. Apesar da nota de hoje, as conversas começaram já no início do governo Temer. Em outras palavras, PMDB e PSDB trabalham para desarticular o Centrão.

O núcleo duro do Centrão é composto por três bancadas temáticas: segurança pública, agronegócio e família. Ou: as bancadas da bala, do boi e da Bíblia.

Para o eleitor de direita, é natural esperar que esses núcleos de poder atuem em conjunto, mas sem articulação central, eles viram puxadinhos do poder que emana do governo federal de ocasião.

As eleições municipais deste ano tiveram um ensaio de união de uma das bancadas temáticas: a da Bíblia. Articulada pelos deputados Marco Feliciano (PSC) e João Campos (PRB) (presidente da bancada evangélica), o PSC e PRB, sob a CONCEPAB, uniram forças em mais de 100 candidaturas pelo país. Até pela conjuntura brasileira, nem todas as candidaturas apoiadas pelo grupo são de direita, porém todas firmaram compromisso de apoio a pautas mínimas (contra ideologia de gênero, pró-vida, etc.). A bancada da Bíblia é a primeira no pós-PT a atuar de forma conjunta como grupo de pressão articulado nacionalmente.

O DEM já colocou abertamente na imprensa sua candidatura à presidência sob a liderança do senador Ronaldo Caiado. Já o deputado federal Jair Bolsonaro desponta com mais de 10% de intenções de voto pelo PSC, chegando a desbancar candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). Porém, ninguém chegará ao governo federal sozinho.

A ex-senadora Marina Silva (REDE) e o deputado federal Celso Russomano (PRB) são exemplos de que candidaturas majoritárias sem apoio dificilmente resistem aos ataques de uma campanha. O DEM e o PSC – sozinhos – também não possuem tempo de TV/Rádio suficientes para desconstruir ataques de adversários.

O PMDB e o PSDB querem formar um novo núcleo de poder no Brasil? Isso já foi ensaiado até na candidatura de José Serra, em 2002. Na ocasião, o PFL se negou a apoiar o PSDB e a dupla Serra-Temer trabalhou pela fusão dos dois partidos. Em outras palavras, é preciso lembrar que se PSDB e DEM foram oposição ao PT, seus interesses no pós-PT  são distintos e precisam ficar claros.

O ex-presidente FHC tem reiteradas vezes se posicionado contra o avanço da direita no Brasil, tendo, inclusive, conclamado pela união das forças progressistas contra o avanço conservador.

Passada a presidência de Rodrigo Maia, e os seus inerentes compromissos políticos, o DEM tem tudo para articular o Centrão e dar uma cara e um projeto nacional para o grupo. A bala, o boi e a Bíblia precisam chegar unidos em 2018. O mesmo vale para Jair Bolsonaro e o PSC.

Repetindo: ninguém chegará ao governo federal sozinho.

Confira abaixo um panorama das bancadas temáticas e sua força política:

Ilustração: Estadão

Ilustração: Estadão

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

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