E no João Doria, dá pra confiar?

Com o declínio momentâneo do PT, muitos surfistas da onda antipetista têm surgido por aí. Até aí, acontece, a política tem disso. O problema é tratar essas pessoas como salvadoras da pátria. E isso é inaceitável.

E o João Doria?

Bom, João Doria é empresário e presidente do LIDE, grupo que ele já deixou claro para a Folha que não produz lobby, mas conteúdo e eventos.

Como empresário é dono de algumas revistas. A Caviar Lifestyle, por exemplo, é uma potência. Com 40 mil exemplares em circulação, de acordo com o Grupo Doria, recebeu R$ 501 mil da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) em publicidade. Já a “Meeting & Negócios” recebeu R$ 259 mil e a “Líderes do Brasil” recebeu R$ 202 mil também do governo tucano.

Para comparação, são necessários 75 meses de Caviar Lifestyle para se ter a audiência de um mês de um site miserável como a Reaçonaria. Ou, sendo mais justo, o valor pago pelo governo Alckmin às revistas do Grupo Doria é superior aos valores pagos pelo mesmo governo para as revistas Exame, Época e IstoÉ de circulação incomparavelmente maior.

Como foi dito em um perfil publicado pelo Estadão, João Doria trouxe um novo modelo de negócios para o Brasil: o Networking.

Nenhuma das revistas do Grupo Doria tem sua circulação auditada pelo IVC.

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João Doria, lembramos, é um empresário. E empresários produzem. Além de produzir anúncios do governo estadual de Alckmin, o Grupo Doria também se especializou em produzir pedidos de recursos financeiros para os amigos no governo federal.

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A Folha revelou que a Apex, que era vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio,  já repassou mais de R$ 2 milhões para o Grupo Doria. Sob a gestão de David Barioni, amigo pessoal de João Doria, os repasses aumentaram proporcionalmente. Um dos eventos patrocinados – por nós – foi uma homenagem a FHC. Sem dúvida é do interesse da exportação brasileira homenagear FHC. O jornal também publicou emails em que são pedidos recursos para exposições no exterior de obras da esposa de João Doria. Uma estadia na casa de campo do empresário em Campos do Jordão (SP) também foi oferecida ao ministro Armando Monteiro (PTB), que aceitou e desfrutou do convite.

Questionado por Maria Lydia Flandoli, da TV Gazeta, se os emails indicavam tráfico de influência, João Doria negou. Era apenas a relação normal entre amigos.

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Até aqui, pura implicância. Afinal, “networking de alta performance” é isso. João Doria tem sido celebrado por ser aquilo que todos nós sentimos falta em um político: antipetista.

Como um bom antipetista, João Doria doou recursos financeiros para candidatos do PT. Como doou para Orlando Silva (PCdoB), Manuela D’ávila (PCdoB) e Erundina (PSOL). Em 2014, por exemplo, já era filiado há 12 anos no PSDB e doou R$ 200 mil para Paulo Skaf (PMDB) que perdeu no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB). Não doou R$ 1 para Alckmin.

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Todo eleitor antipetista em São Paulo gosta de tirar sarro da foto de Haddad com Maluf. João Doria está com o líder da máfia dos fiscais e ainda posou para foto.

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João Doria apareceu no Panama Pappers.

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João Doria não declarou seu jatinho.

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Agora, o pior do ‘networking de alta performance’: nas vésperas da prisão de Marcelo Odebrecht foi articulado um encontro do empreiteiro com FHC. Na época, o impeachment era tido como coisa de lunáticos e o establishment político articulava abertamente na imprensa o fim da Lava Jato nos tribunais superiores. O articulador do encontro entre Marcelo Odebrecht e FHC foi João Doria. O cartel das empreiteiras e a atuação da Odebrecht já haviam sido revelados.

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Cuidado com quem você celebra só porque falou umas ‘coisinhas aí’ contra o PT. Prometer gestão e privatização é fácil, difícil é lidar com 55 vereadores, dezenas de sindicatos de servidores municipais e interesses regionais diversos sem nunca ter tido cargo eleito.

São Paulo já elegeu um administrador de sucesso que nunca tinha disputado cargo público. O cidadão ainda por cima tinha cursado Administração Avançada em Harvard e possuía o título de mestre pela Universidade de Leeds: Celso Pitta.

Cada um que confie em quem quiser.

Marcelo Odebrecht e João Doria (PSDB)

Marcelo Odebrecht e João Doria (PSDB)

A função política de Doria é somar forças para Alckmin derrotar Aécio internamente no PSDB. Caso seja derrotado, Alckmin não esconde que está preparando sua ida para o PSB em busca de uma legenda para disputar a presidência. Doria ficaria no PSDB e apoiaria Aécio contra Alckmin?

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E aí, dá pra confiar?

Para finalizar:  o antipetismo paulistano já pariu carreiras que nunca deveriam ter existido.

kassab-lula-psd-pt

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

 

10 comentários para “E no João Doria, dá pra confiar?

  1. Luciano

    Pois é, é o que tem pra hoje!
    Vamos votar no cara da mesma maneira que votamos no Alckmin da última vez …
    E o pior é que eles ficam se achando depois …

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  2. Adalto

    Político e fraldas tem que ser trocados com frequência! Doria é disparado o melhor nome do pleito atual. O resto já conhecemos bem. Talvez o major, mas ele ainda precisa de um polimento.

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  3. Um leitor

    Quais candidatos para a prefeitura de SP vocês do Reaçonaria pensam que são viáveis? Também não gosto do Dória… mas Marta? Erundina? Haddad? Estou pensando em anular o voto.

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    • Editor Posts do autor

      São três anos de site e nunca apoiamos algum candidato. A questão não é o apoio, mas tratar como salvador da pátria alguém que até ontem estava ao lado de quem a gente sempre combateu. O fato de o Alckmin poder ir para o PSB também pode transformar o Doria em um novo Kassab que a oposição elege e em 2 anos vai pro colo da esquerda.

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  4. danir

    Falando francamente, não consigo assimilar o fato de – mesmo sendo pragmático – como uma pessoa que se coloca de um lado no cenário político, pode alimentar a campanha do pretenso adversário. Alguem como o Lula, exemplo maior, um dia soltar cobras e lagartos contra o Collor, e no outro dia tratá-lo como se fossem amiguinhos de infância. Não existe uma matriz moral para tal desfaçatez. Pior ainda é a falta de nexo dos eleitores que não registram estas tibiezas e oferecem seu voto com a mesma irresponsabilidade. Nestas horas me sinto um pouco estranho e distante da espécie humana; mesmo com minhas inconsistências, pondero, anoto os fatos, procuro saber mais, mastigo tudo e tomo uma decisão, onde tambem entram valores como moral, honestidade, clareza, sinceridade, competência e conjunto da obra. Senhor, me ajude; onde está meu erro?

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