DEM compromete seu projeto presidencial ao apoiar dobradinha PMDB-PSDB

Escrevemos em nosso site no dia 14 de outubro:

“Existe uma tensão na Câmara dos Deputados entre o Centrão e o DEM.

O DEM, por ter sido o maior aliado do PSDB durante o lulopetismo, se contrapôs ao interesses do Centrão. Não apoiou Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara e não apoiou André Moura (PSC) como líder do governo Temer. O Centrão, em contrapartida, não apoiou Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara, tendo lançado um candidato próprio, Rogério Rosso (PSD).

Rodrigo Maia, como candidato, teve que buscar votos até no grupo ‘Construindo um Novo Brasil’, corrente majoritária do PT, para derrotar o Centrão. Já os grupos menores do PT apoiaram Orlando Silva (PCdoB), cuja candidatura também serviu de linha auxiliar do DEM para desidratar os votos da esquerda na Câmara.

Já Rodrigo Maia, como presidente, trabalhou nos bastidores para destituir André Moura como líder do governo. O Centrão reagiu e obrigou Michel Temer a frear os movimentos do presidente da Câmara.

Eduardo Cunha (PMDB) unificou o Centrão e venceu o PSB, o PSDB e o PT para conquistar a presidência da Câmara. Eleito, impôs seu ritmo de trabalho aos derrotados e pautas indigestas para os progressistas da Casa.

Em suma, o Centrão é um polo importante de poder e hoje tem tudo para ser esfarelado sob o guarda-chuva de diferentes tons de progressismo.”

Nossa análise de hoje:

O DEM tem que se perguntar se o seu projeto presidencial é para valer

Hoje, a dobradinha PMDB-PSDB articula a candidatura de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) para a presidência da Câmara. Uma articulação, aliás, que já começou nos bastidores do impeachment. O apoio do governo a um nome do PSDB foi uma das exigências do partido. E o nome do deputado Imbassahy, um bom deputado, já tinha sido posto na época.

O DEM é o fiel da balança que pode, sem exagero, definir o futuro ideológico das forças políticas do país.

A custo do que o DEM vai apoiar o PSDB para a presidência da Câmara? Por ser base do governo? O Centrão também o é.

Para agradar e mostrar fidelidade ao presidente Temer? No final, a agenda do governo não permite sonhar com reeleição. Será um governo duro e de transição. Vale a pena ser pau mandado na Câmara para ser um aliado de segunda categoria na Esplanada?

Por ter o ministério da Educação? Está claro para a população que esse é um ministério de mentirinha do DEM, já que todos os postos chave são ocupados por tucanos.

Fortalecer o PMDB-PSDB para as eleições de 2018 e, assim como em 2002, perder a vice candidatura à presidência para continuar um aliado de segunda categoria dentro da união entre o PMDB-PSDB?

O DEM é a força política que pode dar cara e um projeto presidencial para o Centrão. O senador Ronaldo Caiado, e os deputados alinhados com o seu projeto presidencial, não podem fortalecer o polo PMDB-PSDB. De jeito nenhum.

Antes de acabar a presidência de Rodrigo Maia, e respeitando os seus inerentes compromissos políticos, o DEM tem que articular o Centrão. A próxima eleição já é a presidencial. O DEM vai dar de bandeja os partidos do Centrão para as candidaturas que já estão postas? Querem chegar em 2018 sozinhos? A ex-senadora Marina Silva (REDE) e o deputado federal Celso Russomano (PRB) são exemplos de que candidaturas majoritárias sem apoio e tempo de TV/Rádio dificilmente resistem aos ataques de uma campanha.

Ninguém chegará ao governo federal sozinho.

O Centrão é basicamente composto pelas bancadas da bala, do boi e da Bíblia. O DEM pode unir a direita parlamentar ou dividi-lá e colocá-la a reboque de diferentes tons de progressismo. Essa é a importância da eleição do próximo presidente da Câmara.

A realidade é que até o momento nem o deputado Jair Bolsonaro (PSC) nem o senador Ronaldo Caiado (DEM) possuem candidaturas garantidas.

Esfarelar a direita na Câmara, em momentos em que se discute a redução no número de partidos, é fortalecer a ida dos deputados para os partidos de linha social democrata para não perderem prerrogativas do mandato com a cláusula de barreira. É condenar a direita parlamentar no médio prazo a continuar como aliada de segunda categoria do presidente de ocasião.

Confiram uma fala do deputado Onyx Lorenzoni (DEM), em abril de 2015, para a revista VEJA (grifos nossos):

“Eu fiz essa proposta na Executiva: que o partido arquivasse qualquer coisa de fusão agora, nós reabríssemos esse debate com o horizonte mais aberto em novembro de 2016, depois da eleição municipal. Aí nós vamos conhecer qual vai ser a nova estruturação dos municípios brasileiros. E então fará sentido tentar, pelo menos no nosso campo político, a organização de um partido de centro-direita com bandeiras claras. Nem nós temos essas bandeiras claras hoje. Alguns de nós temos, mas a instituição do partido não tem e precisa ter.

VEJA – No plano do senhor, isso passaria por fusões com partidos menores. O DEM teria de ser o núcleo desse novo partido? O DEM seria o eixo doutrinário e programático, justamente por estar na Internacional da Democracia de Centro, para trazer para o Brasil todo esse acúmulo de ideias que deram tão certo na Espanha, na Alemanha e na Inglaterra. A política é um pêndulo, vai para o lado esquerdo, depois volta para o direito ciclicamente. No Brasil e na América Latina, a política, por uma série de razões, foi para o lado esquerdo da década de 1990 para cá. Mas os resultados são muito ruins.Venezuela, Bolívia, Argentina, Brasil… A eleição do ano passado é o ponto onde a volta começa a acontecer. Não havia nenhum candidato de centro-direita no Brasil, competitivo e com programa claro. Havia candidatos de centro para a esquerda. É por isso que eu digo: o Brasil carece de um partido de centro-direita claro e forte que possa reunir princípios que a centro-direita pratica no mundo todo. Eu acredito que um candidato à Presidência nascido daí seria muito competitivo para um cenário em que o Brasil busca outras respostas que a esquerda nem o centro podem dar.”

E aí, DEM, a união da direita é para valer ou é firula?

A bala, o boi e a Bíblia precisam chegar unidos em 2018. Um panorama do núcleo duro da bancada:

Ilustração: Estadão

Ilustração: Estadão

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

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