“Deixa eu te falar uma coisa, cara”

Uma semana após as delações da Odebrecht, a Polícia Federal interceptou uma ligação entre os senadores Aécio Neves e José Serra no âmbito das investigações que resultaram na Operação Patmos.

O diálogo ocorreu no dia 20 de abril, por volta das 17h, e foi transcrito pelo jornal Folha de São Paulo.

“José Serra – Deixa eu te falar uma coisa, cara. Eu tô preocupado… olhando do ponto de vista macro, né… da política, eu acho que precisa ter um ministro da Justiça forte, viu Aécio.
Aécio Neves – Eu também acho, sempre achei.

José Serra – E… realmente forte. Não precisa ser da área, porque vai ficar da área… vai ficar aquele problema todo. Alguém como o Jungmann daria, entende? Bem assessorado, tal. O fato é que tem que por alguém com força. Não para fazer nada arbitrário, mas para que as coisas tenham um caminho, né? de desenvolvimento, tudo.
Aécio Neves – Vamos falar pessoalmente, tá bom.

José Serra – É. Mas se você tiver oportunidade, sem mencionar que eu te falei, porque eu tinha ficado de falar com ele. Podia mencionar isso para o presidente.
Aécio Neves- Tudo bem, mas não sei se consigo.

José Serra – Inclusive quem etc. Mas o fato é o seguinte, precisa ter ministro forte.
Aécio Neves – Concordo com você.

José Serra – O rapaz é um… o Osmar Serraglio foi um bom deputado, acho mesmo… pode ir para outro ministério, tal, mas as condições iniciais ele não teve
Aécio Neves – Falamos pessoalmente, mas concordo. Falamos pessoalmente, tá bom? Mas tá entendido.

José Serra – Você concorda com a ideia, né?
Aécio Neves – Concordo há muito tempo já.

José Serra – Tá bom.
Aécio Neves – Abração.

José Serra – Ok.
Aécio Neves – Melhoras aí.”

Em nota, José Serra declarou para a Folha que: “Tenho numerosas conversas sobre política diariamente. Não me lembro dessa conversa rápida com o o senador Aécio Neves. Em todo caso, conforme se verifica no diálogo transcrito, nada que não fosse republicano foi tratado. Pelo contrário, há até uma ressalva de que a sugestão se deu sob o ponto de vista exclusivamente politico.”

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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