Carta, capital panamenho

“Existem, são conhecidos, quase ninguém tem coragem de defendê-los, mas eles sobrevivem e se expandem, porque são como os prostíbulos – ilegais, mas indispensáveis para a sobrevivência de instituições falidas, que tem nesses espaços os complementos indispensáveis à sua existência.”

Foi com essas palavras que Emir Sader concluiu o artigo “Paraísos fiscais, os prostíbulos do capitalismo“, reproduzido na edição online da revista Carta Capital. O que o professor Emir e a revista Carta Capital diriam se contássemos que uma grande revista brasileira tem como sócia uma empresa com sede em paraíso fiscal? Acompanhem então o levantamento feito com acesso a dados públicos e divulgado com exclusividade aqui no Reaçonaria.

A Revista Carta Capital é editada pela Confiança. A informação é pública e está disponível no site da revista em http://www.cartacapital.com.br/editora/sobre-a-editora. Destaque para o trecho “a Editora Confiança publica também as revistas Carta na Escola e Carta Fundamental. Dirigidas a professores, oferecem aos docentes do Ensino Médio e Fundamental conteúdos sobre temas atuais com o propósito de enriquecer as aulas com atividades pedagógicas mais criativas e interessantes.“. Estas revistas são, basicamente, vendidas a governos e sindicatos que repassam a professores. Nenhum problema.

Em breve consulta ao site da Junta Comercial de São Paulo é possível saber a composição societária da Editora Confiança. O sócio majoritário é o próprio Mino Carta, editor e fundador da revista e editora. E há ali também uma empresa “C.N.K.S.P.E. Empreendimentos e Participações LTDA.”, representada pelo advogado Francisco Prisco Paraíso Neto. O outro sócio é o empresário e ex-Presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo.

EDITORACONFIANCA

Quando se consulta, ainda na JUCESP, a composição societária da C.N.K.S.P.E., descobre-se que ela é controlada por uma empresa de nome “Newsburg Investments LLP”. No próprio registro está informado que a Newsburg tem sede na Inglaterra:

C.N.K.S.P.E

 Fomos conferir a composição societária da Newsburg Investments LLP no site da Companies House, agência do  do governo britânico que mantém e disponibiliza os dados de todas as companhias. O endereço da Newsburg foi alterado:

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Ainda no site da Companies House, é possível acessar o último “Appointments Report” e descobrir quem são os sócios controladores da Newsburg: duas empresas com sede no Panamá – a Cape Labuan Investments INC e a Mawson Peak Investments Corp.

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O Panamá também possui um site de registro público de companhias, uma das muitas medidas recentes adotadas para tentar excluir o país da lista de “paraísos fiscais” do mundo. Acessando o site, é possível verificar que as duas empresas não apenas possuem o mesmo endereço como também têm o mesmo agente residente, TT & Associados; foram registradas no mesmo dia, 05/07/2007; e a mesma composição societária e diretoria. Vejam os dados completos abaixo:

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A Editora Confiança, que edita a Carta Capital, tem como sócia uma empresa com sede na Inglaterra e esta empresa é composta pela associação de duas empresas com sede no Panamá que têm o mesmo endereço, foram criadas no mesmo dia e têm exatamente a mesma composição.

Uma coisa que pôde ser notada recentemente na Carta Capital foi a total falta de menção ao caso do hotel companheiro, que queria empregar José Dirceu com salário altíssimo e que, depois, descobriu-se estar em nome de um bocado de laranjas que atuam no Panamá. Soubemos que Dirceu também tinha sua empresa no Panamá, com mesmo endereço que o grupo controlador do hotel.  Uma busca dos termos “Panamá” e “paraíso fiscal” no site da revista Carta Capital não traz resultado nenhum. Comparem com o site da Folha (aqui) e da Veja.com (aqui).

Em uma reportagem antiga a revista tratou do envio de dinheiro do Brasil a paraísos fiscais e citou uma lista da Receita Federal contendo países classificados como tais. Vejam o trecho:

“Em 2010, a Receita Federal divulgou uma lista de países considerados paraísos fiscais, entre outros motivos, por não tributarem a renda ou bloquearem o acesso a informações relativas à composição societária de pessoas jurídicas. Entre eles aparecem Andorra, Barbados, Ilhas bermudas, Chipre e Mônaco.”

A lista da Receita incluía o Panamá, mas este país não foi citado na reportagem da Carta Capital.

Não compartilhamos da opinião de Emir Sader sobre os prostíbulos serem “indispensáveis para a sobrevivência de instituições falidas, que tem (SIC) nesses espaços os complementos indispensáveis à sua existência.“. Porém, é de se pensar o quanto o capital no paraíso fiscal panamenho é fundamental para a sobrevivência da Carta Capital, mesmo sabendo que ela jamais irá à falência enquanto houver governos, especialmente petistas, bancando-a.

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18 comentários para “Carta, capital panamenho

  1. Milton

    Ótimo trabalho jornalístico com fontes, dados, fatos, nomes e datas. Obrigado. Vou compartilhar e pedir que compartilhem. A hipocrisia da mídia esquerdista tem que vir à tona!

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  2. SFU

    Não é nada, não é nada não! Mas, por que José “milfaces” Dirceu, depois de auferir tanto dinheiro com consultoria, não tinha um puto centavo nas contas bancárias?

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  3. Pingback: Rapidinha | Reaçonaria

  4. Ronaldo

    Bela investigação! Realmente, essa revista quer ser o Gramma brasileiro quando o PT concluir seu projeto de ter apenas jornalista amigo trabalhando.

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  5. Marcos

    Faltou o próximo passo. Quem são estes Dartmouth, New Haven, Lincoln.
    Não conseguimos ninguém no panamá para localizar estes Martha Slazar e Samantha Federico? Lista telefônica ou algo do tipo?

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  6. Roberto

    Só prá ver se entendi direito:
    R$ 9.700,00 do capital é da “sopa de letras” C.N.K.S.P.E. e R$ 240.000,00 é do Mino, correto? Qual a participação do Belluzzo?
    Já a “sopa de letras” escancara o significado da palavra “laranja”: R$ 1,00 para a tal Leni e R$ 1.182.199,00 para a Newsburg.
    Já as datas de início de atividade são estranhas. Deve ter havido mudanças entre 2001 e 2007.

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