Carta #1: viabilidade das candidaturas de Maia e Meirelles à presidência

Hoje, inauguramos um novo espaço em nosso site: as “Cartas de Conjuntura”. A primeira trata das pré-candidaturas de Maia e Meirelles. Não deixe de ler, comentar e compartilhar!

Henrique Meirelles (PSD), ministro da Fazenda, e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara (foto: Nelson Almeida/AFP)

O presidente Michel Temer (MDB) conta com a recuperação econômica e o avanço na geração de empregos para se tornar um eleitor de peso nas próximas eleições presidenciais. Existem estudos que correlacionam a popularidade de um governo com sua reeleição e a capacidade de transferência de votos. Hoje, o presidente é tóxico.

Aumentando sua popularidade, o presidente espera unir os partidos do Centrão, além dos aliados que gravitam na Câmara em torno do DEM de Rodrigo Maia, e condicionar o apoio em bloco a um candidato que defenda o legado de sua gestão. Uma tarefa inglória, mas que pode render o maior tempo de Rádio/TV a quem se dispuser a tanto, além de garantir o maior número de palanques regionais, o que pode ser decisivo no segundo turno em que os tempos de Rádio/TV se igualam. O apoio deve envolver outros acertos, como a nomeação de Temer para embaixador caso o foro privilegiado para ex-presidentes não avance no Congresso Nacional.

Mas mesmo que o presidente não obtenha sucesso, existe a necessidade por parte do establishment político de estruturar uma candidatura de centro competitiva. Maia, Meirelles e Alckmin são os pré-candidatos que disputam esse apoio, cada um com um grau diferente de independência em relação ao presidente Temer.

A candidatura de Rodrigo Maia não será viabilizada. Hoje, o presidente da Câmara dificilmente abriria mão de se reeleger para um próximo mandato e comandar novamente a Câmara dos Deputados (a reeleição é permitida em Legislaturas diferentes). Porém, ao jogar com sua pré-candidatura, Maia espera aglutinar um número suficiente de aliados que atuem em conjunto na hora condicionar apoio ao verdadeiro candidato do grupo. Além de transformar Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação, em candidato à vice-presidência na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), que deverá ser o candidato escolhido (caso Huck ou Doria não sejam tirados da cartola).

Maia já contaria com o apoio do PP e do Solidariedade nessa manobra e articula para que o PR e o PSC se integrem ao grupo. Durante a janela partidária, o DEM espera chegar a 40 deputados federais. Alckmin dificilmente conseguirá negar a vice a um grupo que contará com no mínimo 100 deputados.

Já o ministro Henrique Meirelles (PSD) precisa se viabilizar dentro do próprio partido e dentro do mundo político. A Câmara não gosta de Meirelles e os deputados do PSD não acreditam em sua viabilidade eleitoral. O ministro, porém, é o único nome que o presidente do partido, Gilberto Kassab, apresentou como pré-candidato. O ministro Kassab estimula Meirelles com os mesmo propósitos que Rodrigo Maia: conseguir a vice-presidência. A diferença é que Meirelles realmente quer ser candidato.

O presidente Temer fez uma leitura precisa das pré-candidaturas de Maia e Meirelles e declarou ao Estadão:

Sobre Maia: “O Rodrigo está se movimentando muito, mas ainda acho que a prioridade dele é se reeleger para a Presidência da Câmara, que é um cargo excepcional. De qualquer forma, ele não tem nada a perder, só a ganhar. E é aquela história, se colar, colou.”

Sobre Meirelles: ”Para mim, é claro que é muito melhor que fique na Fazenda”.

Em outras palavras, Maia está se cacifando para negociar melhor o seu apoio e Meirelles não contará com o amparo do presidente para sair da Fazenda em março e retirar o pouco de credibilidade que o governo tem junto ao mercado.

Em 2002, quando a pulverização partidária já dava os seus primeiros sinais de desarranjos, apenas uns 10 partidos eram relevantes na Câmara. José Serra (PSDB) concorreu por uma coligação que continha apenas o PSDB e o PMDB, mas somava 182 deputados federais e garantiu o maior tempo de Rádio e TV: 10 minutos e 23 segundos. Já Lula (PT) estava coligado com PL, PCdoB, PMN e PCB, com 80 deputados, o que resultou em 5 minutos e 19 segundos de tempo de Rádio e TV. Nem de longe FHC contava com a rejeição que Temer tem hoje, mas mesmo assim foi tóxico o suficiente para o candidato de seu partido perder as eleições. 

O presidente Michel Temer vem dando sinais de que Geraldo Alckmin pode se tornar o candidato com o seu apoio. Os ministros Carlos Marun (MDB) e Gilberto Kassab (PSD) já foram na mesma linha. Isso vem da constatação de que é mais provável que o seu governo continue tóxico nas eleições e é melhor um gesto antecipado de apoio ao candidato mais competitivo do centro. Afinal, sem Foro é com o Moro.

Por mais que ainda não decole nas pesquisas, Alckmin, pela primeira vez, sairá candidato com a presidência e a tesouraria do PSDB nacional em mãos. Os tucanos comandam 803 prefeituras, incluindo 28 das 93 maiores cidades (as maiores cidades concentram 37% do eleitorado do país), além dos governos estaduais de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará. Mais da metade do PIB está sob governadores tucanos (vices que assumirem, como será o caso de Márcio França (PSB) em São Paulo, não irão mudar substancialmente o arranjo de forças que comandarão os estados até 2019).

Maia e Meirelles não serão candidatos.

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