Atualizações sobre o caso Charlie Gard: Hospital de Londres insiste que pais não podem decidir sobre a vida do bebê

Foi realizada ontem a mais nova audiência para o caso de Charlie Gard, bebê britânico que sofre de doença mitocondrial em estado severo e raríssimo e que, por conta disso, especialistas do hospital entraram na Justiça para obter o direito de desligar os aparelhos que o mantém vivo para que ele tenha uma morte digna. Como já explicamos anteriormente, os pais do menino acreditam ser possível tentar um tratamento experimental nos EUA ou em Roma (no Hospital do Papa) e receberam apoio financeiro, orações e dinheiro do mundo todo, fazendo com que mesmo após perderem em todas as instâncias legais possíveis, o hospital não matasse o bebê e o juiz local desse uma nova oportunidade.

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Durante o julgamento, fizemos uma cobertura online em nossa conta no Twitter: www.twitter.com/reaconaria. Em resumo, após uma confusão na parte da manhã que deixou os pais do bebê desesperado, foi chamado um especialista de Nova Iorque, mantido sob anonimato, para ser interrogado sobre as chances que o tratamento oferecido por ele teria de melhorar a vida do bebê. Ele respondeu a perguntas da promotoria, do representante dos pais de Charlie e de Katie Gollop, chefe da equipe médica do Great Ormond Street Hospital (GOSH) e opinou ser muito provável melhorar as condições de vida do bebê. Ele falou do análise de um estudo realizado com 9 pacientes com a mesma doença, embora nenhum deles em um estado tão severo quanto o de Charlie, 5 apresentaram melhoras após o tratamento experimental. O juiz convidou o especialista a ir a Londres visitar o bebê para poder ter uma melhor avaliação. Ao fim do dia, chegou-se à decisão de montarem uma comissão multidisciplinar para tentar entrarem em um acordo sobre as reais possibilidades de tratamento.

Ao fim do dia, o GOSH publicou um documento com a posição oficial do hospital sobre os desdobramentos, que pode ser lido completo neste link. Destacamos um trecho:

Os pais de Charlie acham que apenas eles têm o direito de decidir qual tratamento Charlie tem e não tem. Eles não acreditam que o Great Ormond Street teria o direito de apelar a uma Corte para uma decisão independente e objetiva. Eles não acreditam que há alguma função (nisso) para um Juiz ou uma corte. Eles acreditam que apenas eles podem e falam por Charlie e eles disseram várias vezes que eles foram despojados de seus direitos de pais.

GOSH se agarra e se guia por princípios diferentes. Um mundo onde apenas os pais falam e decidem pelas crianças e onde as crianças não têm direitos e identidade separadas e nenhuma corte para ouví-los e protegê-los é muito distante do mundo em que o GOSH cuida de seus pacientes infantis.

Abaixo, alguns tweets de nossa cobertura durante o julgamento:

 

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4 comentários para “Atualizações sobre o caso Charlie Gard: Hospital de Londres insiste que pais não podem decidir sobre a vida do bebê

  1. Gustavo

    pelo discurso do juíz, nao se trata da vida do charlie, mas de uma disputa ideologica… ele quer mostrar ao mundo que os pais nao mandam sozinhos.. notem que eles criticam os pais e ainda dizem que “eles manifestaram várias vezes que foram despojados do papel de pais” e que “acham que um juiz e uma corte não tem funções”…

    ou seja, o interesse do Charlie já ficou em segundo plano.. agora é o establishment que o juiz está defendendo.. não sei não, mas acho que deve ter jeito de processar esse juiz por isso

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  2. Pedro Thompson

    E outra coisa tão óbvia:

    “…e nenhuma corte para ouví-los…”. Alguém aí ouviu o Charlie pedir alguma coisa?!?!

    Ou seja, são uns endemoninhados mesmo…

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  3. Pedro Thompson

    Olha que interessante o discurso DIABÓLICO e confuso do presente século:

    “Um mundo onde apenas os pais falam e decidem pelas crianças e onde as crianças não têm direitos e identidade separadas e nenhuma corte para ouví-los e protegê-los é muito distante do mundo em que o GOSH cuida de seus pacientes infantis.”

    Oras, mas quando se fala de ABORTO a coisa é diferente, né. não há “direitos e identidade separadas” para o bebê na barriga da mãe.

    Maranata! Volte logo, Senhor Jesus…

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