ANÁLISE: União de PT, PSDB e PMDB vista no julgamento do TSE mostrou o caminho do sucesso para os bandidos

Confrontar o julgamento do TSE com a gravação da conversa de Sérgio Machado com Romero Jucá, cuja divulgação já completou um ano, mostra que aquelas idéias foram postas em ação com sucesso. Esses trechos bastam para relembrar:

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

MACHADO – A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado…

JUCÁ – Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…

Embora Machado estivesse predisposto a encaminhar a conversa de forma a produzir provas, os complementos de Romero Jucá, que foi articulador político e ministro nos mandatos de FHC, Lula, Dilma e Temer, são muito claros: é preciso salvar a classe política como um todo e isso só se faria com o Supremo.

É apenas nisto que reside a importância da permanência de Michel Temer no poder. Como já não tem e nunca teve voto, para ele não importa tomar medidas impopulares pois ele jamais chegaria por si só onde está hoje. Também seu partido não desperta grandes paixões como o PT, maior partido em número de militantes aficcionados, e o PSDB, que se projeta simplesmente por ser de vez em quando a alternativa ao PT.  PT e PSDB têm projetos de poder claro, influência sobre grupos organizados (financeiros, de imprensa, políticos ou paraestatais)e  pensam no futuro político de si. Temer aliado ao PSDB, além de fazer a travessia da classe política após o país descobrir que ela é composta majoritariamente por bandidos, também é útil para o PT por dar a eles um discurso político público até as eleições de 2018, enquanto por baixo dos panos todos se aliam no combate à Lava Jato e todas as outras investigações.

É mentira que Michel Temer garante as aprovações das reformas. Esta é a face exposta da ação subterrânea mais importante para a classe política, que é a própria sobrevivência. O julgamento no TSE fez com que Gilmar Mendes se oferecesse publicamente para ter a coragem “com o Supremo, com tudo” para “delimitar onde está” o estado das investigações e punições. Também foi inédito pelo casamento público de interesse do PSDB, PT e PMDB, incluindo aí o papel vergonhoso de militantes partidários e de novos movimentos políticos que se omitiram enquanto torciam pela impunidade.

>>> Leiam mais: FHC venceu: PT e PSDB farão encontro formal de reaproximação

Passado o ponto mais crítico de desafio à opinião pública até agora, a classe política está pronta para os próximos passos. Michel Temer já cortou recursos da Lava Jato e tem mais alguns meses para trocar o Procurador-Geral da República, pessoa que será responsável pelos processos que investigam todos os políticos de Brasília. Até lá todos os projetos contra as investigações, contra o Ministério Público e o sufoco à Polícia Federal, que já se faz pela restrição de recursos, continuarão. E o ponto máximo do cinismo vai ganhar corpo: a criação do foro privilegiado para todos os ex-presidentes. Tal medida garantirá que Temer, Lula, Dilma e FHC sejam investigados em processo tocado pelo PGR escolhido por Michel Temer. Qual partido votará contra esta sacanagem? É de se esperar que o escolhido por Temer  faça com essas investigações o que os procuradores-gerais da era petista fizeram com os processos de Renan Calheiros, ou seja, engavetar e esquecer de tudo.

O julgamento no TSE criou esta oportunidade única para o povo perceber como PT, PSDB e PMDB podem competir entre si, mas há um limite. Por muito tempo nossa política foi uma encenação em que, por um brigar contra o outro, se dizia que eles não seriam da mesma natureza e espécie. Porém, o fato de um urubu brigar ferozmente com outro na disputa pela carniça não faz com que ele deixe de ser o que é, um urubu.

Vem aí o acordão pelo foro privilegiado a ex-presidentes

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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Um comentário para “ANÁLISE: União de PT, PSDB e PMDB vista no julgamento do TSE mostrou o caminho do sucesso para os bandidos

  1. Pedro Rocha

    Que isso sirva para abrir os olhos de certos conservadores que passaram a apoiar Temer em prol das “reformas” e da “estabilidade”.

    O resultado era sabido, mas não esperava uma defesa tão desavergonhada do establishment como se viu ontem em certos votos. Que sirva também aos direitistas que estão em clima de “já ganhou” com Bolsonaro, cuja frágil candidatura em termos políticos (pode ser perseguido pela “justiça” ou boicotado pelos partidos como em 2014) enfrentará um árduo caminho.

    Reitero mais uma vez a necessidade de nos organizarmos e darmos apoio à criação do Partido Militar Brasileiro (PMBR 38), que é o maior e mais politicamente organizado grupo de direita no País. A luta será longa e temos que começar pelo básico, que é termos um partido para chamar de nosso.

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