Afastado pelo STF, Cunha diz que Dilma ofereceu ajuda de cinco ministros

O ex-senador Delcídio Amaral chegou a dizer coisa semelhante em entrevista à Veja. Na época, declarou: “Dilma costumava repetir que tinha cinco ministros no STF. Era clara a estratégia do governo de fazer lobby nos tribunais superiores e usar ministros simpáticos à causa para deter a Lava Jato.”

Agora, quem repete a denúncia é Eduardo Cunha.

A afirmação foi feita em entrevista à Folha:

FolhaE se o governo não tivesse rompido com você?
Cunha – Eu que rompi com o governo em 17 de julho. Quem rompeu com o governo fui eu. Eles tentaram várias vezes fazer acordo, várias vezes. Eles não tentaram só esse tipo de acordo.

Folha – Que outros?
Cunha – A presidente, no dia em que eu estive com ela, em 1º de setembro, fui para uma audiência que ela convocou para falar de medidas e sei lá o quê. Ela disse que tinha cinco ministros do Supremo para poder me ajudar.

Folha – Ela disse isso? Em que contexto?
Cunha – Disse isso. Ela não disse os nomes nem ajudar no que. Eu simplesmente ignorei. Teve uma outra oportunidade em que o governador [do Rio de Janeiro Luiz Fernando] Pezão, numa segunda-feira que eu estava aqui em Brasília, agosto ou setembro, simplesmente me telefonou porque precisava falar comigo urgente. Ele disse: ‘eu estava querendo ir almoçar com o Michel no Jaburu’. Eu disse: ‘Pezão, quer me encontrar lá?’. E ele foi. Chegando lá, pedi licença ao Michel eu fui para uma sala sozinho com ele, que veio com a mesma história de que ela tinha cinco ministros do Supremo para me ajudar.

Folha – Ajudar a te livrar [da denúncia na Lava Jato]?
Cunha – Ajudar, mas não disse em quê.

Folha – Por que você não aceitou? Não denunciou?
Cunha – Não é questão de aceitar. Eu não acredito nessas coisas. Eu não acredito que alguém possa ter cinco ministros do Supremo sob seu controle. Não existe isso, eu respeito a Suprema Corte e não entendo isso. Eu entendo isso como uma, digamos assim, como uma bravata. Concretamente, ela não disse o que ia fazer.”

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 Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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