A Veja e o acordão

O maior risco para a democracia brasileira neste momento é a existência de um acordão que una a classe política, grandes empresários, veículos de comunicação e juízes do STF para que se poupem de punição todos que praticaram crimes políticos nos últimos anos.  As alianças recentes entre PSDB e PT, as manobras de Renan para aprovar uma lei contra promotores e juízes que investigam políticos, a tentativa de anistia geral ao Caixa 2, não são poucas as evidências de que essas negociações estão ocorrendo.

Disto tudo salta aos olhos o comportamento da revista Veja. Foi a Veja quem vazou a delação de Léo Pinheiro em que Dias Toffoli, do STF, era citado. O que apenas nós ressaltamos é que a revista mentiu em sua capa: Toffoli não foi delatado, apenas citado. Releiam:

Léo Pinheiro ainda não assinou o acordo de delação. Esta negociação se arrasta há meses e boatos sobre seu conteúdo já foram capa da própria VEJA há mais de um ano, em abril de 2015. Como se não bastasse a revista estar alardeando uma bomba que tem a mesma origem da bomba de um ano atrás e que ainda não se realizou, o texto da reportagem disponível online é uma vergonha. Após o conteúdo de um suposto acordo preliminar de delação que traria o relato de como Léo Pinheiro conheceu Toffoli numa festa e ofereceu seus profissionais para consertar uma infiltração, está escrito o seguinte:

A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

Já neste último final de semana a Veja novamente trouxe conteúdo amplo de uma delação. Assim como antes, há quem queira usar o vazamento como desculpa para anular o conteúdo. Sabendo que isto foi o que de fato ocorreu com a delação de Léo Pinheiro, suspensa pela Procuradoria-Geral da República, e que esta reportagem de agora é inclusive assinada pelos mesmos repórteres, cabe perguntar: A Veja está agindo deliberadamente para cancelar as delações?

Lembramos que muita coisa ainda vai vir contra tucanos, o que praticamente inviabilizará a candidatura de Aécio Neves, José Serra e até mesmo Geraldo Alckmin.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

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2 comentários para “A Veja e o acordão

  1. Todos os Homens do Ex-Presidente

    O repórter desceu ao subsolo, para um encontro às escuras no estacionamento.
    Lugar sinistro. Ele hesitou na rampa, olhando em volta. Sentiu um odor forte de cigarro.
    Virou-se assustado ao ouvir a voz rouca, atrás de si:
    — Veio sozinho?
    — Cara! Que susto… Garganta Profunda, eu suponho?
    — Ahan… Vamos abreviar as apresentações. Me chame pelo codinome: “G-Pro”!
    — Trouxe a papelada?
    — Protocolo de segurança. Vou revistá-lo, antes.
    — Olha essa mão boba no meu bolso!
    — Nem entreguei a delação e você já tá vazando?
    — Tava apertado! Foi o susto…
    — Siga meu conselho: seca o dinheiro. Tá molhado!

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  2. Yulo

    Ou a equipe de Janot está fazendo o “vazamento” para a Veja?
    Esta pergunta não pode deixar de ser feita. Janot mandou investigar o vazamento da delação de Léo Pinheiro? Se manteve a mesma equipe para fazer a delação da Odebrecht, é porque queria o mesmo resultado (o vazamento). Elementar, meu caro Watson!

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