Alexandre Borges

@alex_borges




Como a esquerda está criando o ambiente para eleger Hillary em 2016

A esquerda quer eleger Hillary Clinton em 2016. Não por coincidência, de uma hora para outra o assunto na imprensa americana, uma espécie de departamento de marketing do Partido Democrata (com honrosas exceções), além dos talk-shows e da militância virtual, é a “discriminação contra mulheres”.

A foto do post, de terça (08/04), mostra Barack Obama cercado de mulheres, como manda o manual populista, assinando um decreto para “dificultar que empregadores paguem mais a homens do que mulheres na mesma função”. A tática é manjada, mas sempre dá certo:

1) A esquerda inventa uma pauta que divide a sociedade, balcanizando a população em grupos e jogando uns contra os outros, estimulando ou criando ressentimentos, ódios e conflitos.

2) Criam uma lei ou regulações cheios de pegadinhas cercadas de boas intenções,

3) A imprensa só fala das boas intenções e esconde as pegadinhas, como manda o governo.

4) A oposição se coloca contra e derruba a lei por conta das pegadinhas inaceitáveis e que o governo coloca lá exatamente para isso.

5) O governo sai cantando que tentou proteger a minoria da vez mas a oposição fascista, homofóbica, racista, sexista e elitista derrubou a lei por ser contra as mulheres, gays, negros, pobres, jovens, imigrantes ilegais, tanto faz. É uma canalhice, mas quem disse que canalhice não pode render votos se cercada de boas intenções e com o apoio da imprensa?

Por conta dessa estratégia, nos últimos dias os EUA foram tomados por uma avassalador campanha contra uma alegada discriminação contra mulheres no trabalho, o que é uma mentira demonstrável mas que em nada muda a disposição de se empurrar a agenda e criar um clima favorável para a “primeira presidente mulher” depois do “primeiro presidente negro”.

Num mundo em que mulheres são condenadas ao apedrejamento depois de estupradas, que são impedidas de estudar, votar ou andar sozinhas na rua ou que sofrem mutilações genitais, em que meninas são mortas no nascimento apenas por serem meninas, a esquerda quer que você acredite que o problema das mulheres no mundo está na maneira como a sociedade americana as trata. E a solução, claro, é eleger uma mulher presidente para lutar contra esses preconceitos.

Obama e as mulheres

A esquerda americana está, entendam isso, DOIS ANOS ANTES da eleição, já pautando a imprensa, as universidades e as celebridades, criando o clima propício para que o desastre do governo Obama não seja sequer discutido e que o único assunto da eleição seja o “momento histórico”, artificialmente criado por eles mesmo, de eleger uma mulher como presidente.

Alguém vai se espantar se, de uma hora para outra, os filmes de Hollywood e séries de TV começarem a mostrar mulheres como presidentes dos EUA? Mas é tudo ficção, claro, assim como David Palmer, o presidente negro de “24 horas”, ou Jamie Foxx, o presidente negro atacado por paramilitares em ‘White House Down” do ano passado.

A política é para profissionais e os profissionais estão vencendo, tanto aqui como lá.

Veja no vídeo deste post como Thomas Sowell acaba com a falácia do “Race and Gender Gaps” num debate mediado pelo grande William F. Buckley Jr.

Ted Cruz: A Presidência Imperial de Barack Obama

Nova tradução de Cláudia Costa Chaves exclusiva para essa página. O texto é assinado pelo senador texano Ted Cruz e é uma análise importante sobre o estilo presidencial de Barack Obama, publicado originalmente no The Wall Street Journal em 28 de janeiro de 2014

De todos os aspectos preocupantes no mandato presidencial de Obama, nada é mais perigoso que o padrão contumaz de preferência que o presidente mostra pela ilegalidade, sua vontade de ignorar a lei escrita e em vez dela, impor as próprias posturas via decretos do poder executivo. Na segunda-feira, o sr. Obama agiu unilateralmente ao elevar o salário mínimo pago por contratos federais, a primeira de muitas ações executivas que a Casa Branca prometera ser um tema do discurso do Estado da União a ser pronunciado na terça-feira.

A preferência que o presidente demonstra pela ação unilateral de modo a driblar o Congresso precisa ser motivo de preocupação para todos os cidadãos, a despeito de partido ou ideologia. O grande filósofo político do século XVIII, Montesquieu, observou: “Não pode haver nenhuma liberdade onde os poderes Legislativo e Executivo estejam reunidos na mesma pessoa ou grupo de magistrados.” Os patronos da América levaram este aviso muito a sério e nós deveríamos fazer o mesmo.

Estado de direito não significa simplesmente que a sociedade tem leis; ditaduras são frequentemente caracterizadas por uma abundância de leis. Pelo contrário, estado de direito significa que somos uma nação governada por leis, não por homens. Que ninguém — e muito menos o Presidente — está acima da lei. Por esse motivo, a Constituição dos EUA impõe a todos os presidentes o dever expresso de “cuidar para que as leis sejam fielmente cumpridas.”

Ainda assim, em vez de honrar esta obrigação, o presidente Obama abertamente a desafiou ao repetidamente suspender, adiar e desprezar partes das leis que lhe cabia aplicar. Quando o sr. Obama discordou das leis federais de imigração, ele deu ordens ao Departamento de Justiça para parar de impor o cumprimento de tais leis. Ele fez a mesma coisa com a lei federal de assistência social, com as leis antinarcóticos e com a Lei Federal de Defesa do Casamento (DOMA).

Pessoas razoáveis podem discordar quanto a muitas dessas questões políticas. O sr. Obama pode ter razão no que tange a algumas dessas leis precisarem de alterações. Mas a forma tradicional de expressar essa discordância política, para os 43 presidentes anteriores, foi trabalhar junto com o Congresso para mudar a lei. Se o presidente não consegue convencer o Congresso, o passo seguinte é levar o caso ao povo americano. Como disse o presidente Reagan: “Se você não pode fazê-los ver a luz, faça-os sentir o calor” da prestação de contas eleitoral.

O presidente Obama usa uma abordagem diferente. Como disse recentemente ao descrever seus poderes executivos: “Eu tenho uma caneta, e eu tenho um telefone.” Nos termos da Constituição, não é assim que a lei federal deve funcionar.

O governo Obama tem sido tão descarado em suas tentativas de expandir o poder federal que a Corte Suprema rejeitou nove vezes por unanimidade os esforços do Departamento de Justiça para expandir o poder federal desde janeiro de 2012.

Não há qualquer exemplo mais flagrante de ilegalidade que a aplicação — ou não aplicação — da política de assinatura do Presidente, a Lei de Acessibilidade à Saúde. O s. Obama declarou repetidamente que “é a lei nacional”. ‘Ainda assim, ele violou repetidamente o arcabouço legal do ObamaCare.

A lei diz que empresas com 50 ou mais empregados em tempo integral serão obrigadas a aplicar o mandato do empregador em 1 de janeiro de 2014. O presidente Obama mudou isso, concedendo uma isenção de um ano para os empregadores. Como ele o fez? Ele não se dirigiu ao Congresso para alterar o texto da lei, mas o fez através da postagem de um secretário adjunto do Tesouro em um blog anunciando a mudança.

A lei diz que só os americanos que têm acesso a mercados de seguros administrados pelo estado estarão sujeitos a sanções de empregador e podem obter subsídios do ObamaCare Premium. Isso foi feito para incentivar os Estados a criar corretoras de seguros próprias. Mas quando 34 Estados decidiram não estabelecer corretoras de seguros estatais, o governo Obama anunciou que a letra da lei que reza “estabelecidas pelo Estado” também significa “estabelecidas pelo governo federal.”

A lei diz que a cobertura de saúde de membros do Congresso e funcionários tem de vir de um plano do seguro ObamaCare, o que os impediria de receber os atuais subsídios de seguro-saúde de funcionários federais, assim como milhões de americanos que não podem receber tais benefícios. Em nome dos Democratas do Senado, o governo Obama ofereceu, em substituição, uma isenção especial (declarando que planos “individuais” seriam planos de “grupo”) para membros do Congresso e suas equipes, que assim poderiam manter os subsídios de seguro-saúde pré-existentes.

Mais surpreendentemente ainda, quando mais de cinco milhões de americanos tiveram seus planos de seguro-saúde cancelados porque o ObamaCare tornou tais planos ilegais — apesar da promessa do presidente de que “se você gosta de seu seguro-saúde, você poderá mantê-lo” — o presidente Obama simplesmente deu uma entrevista coletiva em que ele mandou as corretoras de seguros particulares violar a lei e oferecer planos de saúde que o próprio ObamaCare nulificara.

Em outras palavras, em vez de ir ao Congresso e tentar aliviar milhões que estão sofrendo por causa do “desastre” do ObamaCare (como um senador democrata o classificou), o presidente instruiu empresas privadas a violar a lei e disse que lhes daria, efetivamente, um passe-livre liberando a ilegalidade por um ano e apenas um ano. Além disso, em um movimento que lembra o Mundo do Espelho de Lewis Carroll, o presidente Obama, ao mesmo tempo, lançou uma ameaça de veto se o Congresso aprovasse qualquer legislação que fizesse o mesmo que ele acabara de ordenar.

Em mais de dois séculos da história da nossa nação, não há qualquer precedente em que a Casa Branca, sem a menor vergonha, ignore a lei federal e peça a empresas privadas que façam o mesmo. Como o meu colega senador democrata Tom Harkin, de Iowa, perguntou: “Esta era a lei. Como podem eles mudar a lei?”

Da mesma forma, onze procuradores-gerais estaduais escreveram uma carta à Secretária de Saúde e Serviços Sociais, Kathleen Sebelius, dizendo que as constantes alterações ao ObamaCare são “totalmente ilegais pela lei federal constitucional e estatutária”. Os procuradores-gerais corretamente observaram que “a única maneira de corrigir esta lei tão eivada de problemas é promulgar alterações de forma lícita: através da ação do Congresso.”

No passado, quando os presidentes republicanos exorbitavam do poder, muitos republicanos — e a imprensa — muito justamente os chamavam às falas. Hoje, muitos no Congresso — e a imprensa — optam por deixar o padrão de comportamento ilegal apresentado pelo presidente Obama passar em branco talvez deixando que lealdades partidárias ao homem substituam a fidelidade deles à lei.

Mas isso não deve ser uma questão partidária. No futuro, o país terá outro presidente de outro partido. Uma pergunta para todos aqueles que estão em silêncio agora: o que pensariam de um presidente republicano que anunciasse que iria ignorar a lei, ou unilateralmente alterá-la? Imaginem um futuro presidente que descarte as leis ambientais, ou as leis fiscais, ou as leis trabalhistas ou leis capengas com as quais ele ou ela não concorde.

Está errado! E o “precedente Obama” está abrindo a porta para futuras ilegalidades. Como sabia Montesquieu, uma presidência imperial ameaça a liberdade de todo cidadão. Pois quando um presidente pode escolher quais leis obedecerá e quais serão ignoradas, ele já não é um presidente.

Ted Cruz é senador republicano pelo estado do Texas e é dirigente da subcomitê da Comissão Judiciária do Senado que cuida da Constituição, dos Direitos Civis e dos Direitos Humanos. 

A beleza da América

Ainda repercute o comercial da Coca-cola no Super Bowl com a música “America is Beautiful” cantada em várias línguas e mostrando cidadãos americanos originários de várias partes do mundo e ao final um casal gay com um filho.

Logo após a exibição, começaram a pipocar notas sobre uma “reação negativa dos conservadores” nas redes sociais e no jornalismo. O comercial é bonito e bem feito tecnicamente, por isso não vou perder tempo discutindo os méritos formais da execução do filme, que evidentemente seguem os padrões de qualidade que se espera de um comercial da Coca-cola no Super Bowl. Vamos ao que interessa e que gerou a suposta polêmica:

1) A Coca-cola não fez exatamente um comercial, mas uma declaração política: a beleza da América está no multiculturalismo, uma mensagem que fica clara quando a música não é cantada integralmente em inglês, mas em várias línguas. Como disse Ben Shapiro em seu programa de rádio, “a Coca-cola vê a beleza da América não no que temos em comum, no que nos une, mas no que nos separa.” É como se os EUA deixassem de ser vistos como uma nação no sentido essencial do termo, no que define um país, como a língua, a tradição, a cultura, e passasse a ser apenas uma fronteira física onde muita gente decidiu morar. É claro que nenhum outro país recebe estrangeiros como os EUA, tanto em quantidade quanto em oferecimento de oportunidades, mas será que a beleza do país não está exatamente no fato de, historicamente, esses imigrantes escolherem os EUA para morar porque querem assimilar a sua cultura e viver sob o regime mais livre e próspero de que se tem notícia? Será que a beleza da imigração agora é ser o lugar mais rico do planeta onde muita gente vai para lá dividir suas riquezas e não sua língua e suas tradições?

Esse é sempre um assunto delicado, mas existe uma clara diferença entre imigração com assimilação, quando um habitante de um país escolhe outro para viver, para chamar de seu, para virar um cidadão e criar seus filhos naquele regime político-econômico, naquela língua, naquele caldo cultural, e invasão ou ocupação, quando um grupo de um país vai morar em outro e faz de tudo para se fechar numa ilha com todas as referências culturais do país de origem, sem ao menos aprender a língua local. Eu mesmo conheci uma brasileira que foi morar no Japão, numa cidade com muitos brasileiros, e depois de seis anos ela não sabia praticamente uma única palavra de japonês, era como um povoamento brasileiro em outro país e isso não é imigração, é invasão. E ver beleza em invasão é uma declaração política.

2) A colocação de um casal gay com um filho é também uma declaração política, como se a beleza da América estivesse na aceitação natural de um casal do mesmo sexo como uma família como qualquer outra. Eu entendo que dificilmente gays possuem mais liberdade e direitos em qualquer outro lugar do mundo do que nos EUA e que, realmente, isso faz parte da “beleza” da América, mas nesse contexto, de um comercial claramente político, é uma defesa do casamento gay, uma discussão que me parece mais séria e complexa do que o tratamento superficial e apressado da questão dado no comercial. Ele basicamente repete uma tática da cultura pop, como no caso das lésbicas do seriado da Disney analisado num post anterior, que é mimetizar uma família heterossexual, que os militantes consideram antiga e ultrapassada, mas que com gays é o que há de mais moderno. Há décadas a família heterossexual é tratada com desdém e escárnio pela cultura pop, mas as uniões de homossexuais são, nos filmes, seriados e comerciais, cópias idênticas das famílias que a própria cultura trata como decadente e ultrapassada, o que esconde uma profunda canalhice argumentativa e ideológica: afinal a família está ou não ‘ultrapassada’? Se está ultrapassada, por que a nova família, formada por homossexuais mimetizando o comportamento da família hetero é moderno? Adiante.

3) O comercial me parece, como muitos, ter sido veiculado exatamente para “criar reações”, se é que elas realmente existiram em número significativo para merecerem tanta atenção do jornalismo. Será que realmente um número significativo de americanos reagiu publicamente contra o comercial ou as tais reações não fazem parte do pacote do planejamento de comunicação do comercial? Explico.
No fantástico livro “Trust Me, I’m Lying: Confessions of a Media Manipulator”, Ryan Holiday confessa suas técnicas para fomentar repercussões na imprensa, como no caso de um cliente seu que lançou um filme que, em tese, causaria polêmica entre cristãos. Ele espalhou outdoors do filme em cidades do interior e pagou gente para, de madrugada, pichar os cartazes para fingir que eram cristãos ofendidos com o filme e pedindo que ele não fosse exibido na cidade. Jornalistas e blogueiros receberam a notícia e deram a manchete: “filme polêmico gera pichações entre fundamentalistas religiosos”. Pronto, filme lançado com os trouxas da imprensa caindo no truque de RP, a repercussão tinha sido na verdade um golpe de marketing. Sou publicitário e teria dezenas de exemplos de ações similares, é mais comum do que parece.

Não estou dizendo que isso aconteceu neste caso específico, mas é perfeitamente possível que tenha acontecido. A Coca-cola fez um comercial político e seria realmente frustrante se passasse em branco, se não houvesse qualquer reação. Imagine que a Coca-cola brasileira fizesse um comercial mostrando mensaleiros entrando na Papuda ao som de “Liberdade, Liberdade, abra as asas sobre nós”, dando a entender que queria a soltura deles, por exemplo. É claro que ela teria feito isso para “chocar” e se ninguém reagisse negativamente o comercial teria sido um fracasso. Uma estratégia de marketing e RP bem feita incluiria o fomento às reações e a própria retirada do comercial pelo Conar seria comemorada. Muitos comerciais brasileiros já foram feitos e veiculados exatamente para criar polêmica e depois serem tirados do ar pelo Conar, é uma tática mais velha e comum do que pode parecer.

Quem é um pouco mais velho se lembra dos comerciais da Benetton, a clássica série “United Colors of Benetton”, uma das referências da propaganda dos anos 90, em que o fotógrafo Oliviero Toscani foi convidado para “chocar” o mundo com imagens provocativas e profundamente políticas e a Coca-cola parece agora estar querendo brincar disso, mesmo que de uma maneira um pouco mais leve e dissimulada.

Considero o comercial equivocado politicamente, oportunista e feito para fabricar celeuma gratuita, mesmo que impecável tecnicamente. Se a polêmica surgiu naturalmente, surpreendendo a Coca-cola, ou foi fruto de um trabalho planejado de relações públicas na imprensa e nas redes sociais, pouco me importa, mas quando vejo a imprensa culpando “conservadores” pelas reações negativas ao comercial, a única coisa sensata a dizer nesse momento é “not so fast”. Se algum conservador, por acaso, caiu na armadilha da Coca-cola e reagiu como esperado por seus marqueteiros, é melhor que ele seja avisado pelos amigos a entender que esse é um jogo que, se ele não sabe jogar, é melhor não descer para o play.

Veja o comercial da Coca-cola: http://terratv.terra.com.br/trs/video/7313264

Os cafetões de minorias

Se você quer ser famoso, esqueça o Big Brother e vá cursar Ciências Sociais. Parte da imprensa do país agora acredita que sociólogos e afins são entes superiores de razão ou oráculos da vida moderna. Alguém precisa avisar Tatá Werneck que há um caminho mais curto para Valdirene chegar ao estrelato.

De preço de ingressos na Copa às UPPs, do Bolsa Família até o sumiço do Amarildo, da condenação de mensaleiros até meia dúzia de peitos caídos na praia, é ligar a tevê e ver um cientista social ou historiador dando ares supostamente científicos à má poesia engajada dos candidatos a Bertold Brecht que, como poetas de esquerda, não superam nem Tarso Genro.

Faço um convite aos analistas de rolezinhos: se você ainda não foi, vá a um shopping center num bairro de periferia e surpreenda-se ao descobrir que são locais iguais aos que você conhece e que são frequentados por, veja você, moradores da periferia. Se você diz na imprensa que impedir 6 mil adolescentes de invadir um shopping ao mesmo tempo em Itaquera, no ponto extremo da Zona Leste de São Paulo, é “discriminação”, está simplesmente mentindo. E não é uma mentira qualquer.

Se houvesse uma preocupação legítima com a “inclusão” desses jovens, que melhor exemplo no país do que os shoppings? Em seus espaços privados, eles abrem as portas gratuitamente para a população ter opções de lazer, alimentação e consumo totalmente voluntários, num ambiente seguro, confortável, livre e democrático. Já os governos que obrigam esses mesmos cidadãos a trabalhar até cinco meses do ano apenas para pagar impostos são incapazes de dar algo remotamente parecido.

E a quem interessa transformar um evento que seria naturalmente descartado com o tempo pelos próprios jovens em passe livre para arrastão, vandalismo e saques ao som de palavras de ordem? Se há crime, nesse caso de lenocínio ideológico, de cafetinagem sociológica, é preciso identificar os proxenetas do rolezinho alheio.

Política é feita de narrativas e a esquerda viu no rolezinho uma oportunidade de criar má poesia ou sociologia de pé-quebrado com eles, vendo em jovens que frequentaram shoppings a vida inteira supostos excluídos que não poderiam entrar nestes mesmos shoppings, na tentativa de fabricar factoides para proselitismo político em ano eleitoral. Segundo uma pesquisa recente, 71% dos paulistanos são contra os rolezinhos e, apesar da tentativa de doutrinação sistemática nos meios de comunicação, o eleitor ainda não comprou a cascata.

As manifestações do ano passado pegaram a esquerda de surpresa, sem uma narrativa pronta para vender aos vassalos de sempre na academia e na imprensa, mas os rolezinhos forneceram um material dramático melhor aos roteiristas partidários. Se 6 mil jovens não podem entrar num shopping ao mesmo tempo, gritam “preconceito!” e energizam a combalida militância pós-mensaleira, tão desesperada em busca de um discurso para chamar de seu.

O Brasil teria neste ano uma oportunidade histórica de apear do poder a esquerda e suas narrativas orwellianas, mas infelizmente ainda não há o que colocar no lugar. Caso consigam mais quatro anos, que esse tempo seja usado diligentemente pela sociedade para a construção de uma real e sólida alternativa política para que o Brasil deixe de fazer apenas rolezinho entre as nações mais desenvolvidas do mundo.

Como os republicanos podem vencer

Como os republicanos podem vencer” é um texto de David Horowitz que virou uma espécie de livro de cabeceira dos republicanos desde que foi publicado após a reeleição de Barack Obama ano passado. A tradução foi uma gentileza da leitora Cláudia Costa Chaves. O texto original, em inglês, pode ser lido aqui. O texto é uma aula de estratégia política e deveria ser lido por todos que querem disputar eleições.

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Como os republicanos podem vencer

David Horowitz

Depois que os eleitores reelegeram um governo que adicionou 5 trilhões de dólares à dívida do país, deixou 23 milhões de americanos desempregados, entregou o Iraque ao Irã, um inimigo da América, e permitiu que a Irmandade Muçulmana tomasse o controle do maior país do Oriente Médio, a maior lição que todos os republicanos devem aprender é que as eleições são movidas por emoções, não pela razão. E mais, quando se trata de mobilizar as emoções, os democratas ganham dos republicanos de goleada.

Pior, os republicanos parecem incapazes de aprender com as próprias derrotas. Ano após ano, os democratas acusam os republicanos dos mesmos crimes imaginários: travar uma guerra contra as mulheres, não se importar com as minorias e causar sofrimentos aos trabalhadores americanos em benefício dos ricos. E ano após ano, os republicanos ficam sem reação efetiva que neutralize os ataques. Ou que leve a batalha para o campo inimigo.

Nas eleições de 2012, os democratas acusaram os republicanos de defender os ricos que não pagam seu “justo quinhão”. Os republicanos reagiram deplorando a “retórica da luta de classe”, algo que não retruca a acusação de que os republicanos defendem os ricos e de que eles não ligam. Existem muitas respostas para esses libelos, mas os republicanos não as conhecem.

“Ligar” não é um entre os muitos quesitos em uma eleição. É o quesito principal. Já que as questões políticas são, em sua maioria, complicadas, os eleitores querem saber acima de tudo, com quem podem contar para organizar as complexidades e representá-los. Antes que os eleitores coloquem as cédulas nas urnas em prol de posturas ou valores, eles querem um candidato ou um partido que se importe com eles.

O quanto essa preocupação é fundamental? Nas eleições de 2012, 70% dos americanos asiáticos votaram em Obama, mesmo que os asiáticos comunguem dos valores republicanos. Eles são dedicados à família, empreendedores e tradicionais. Os americanos asiáticos votaram em Obama porque foram convencidos de que Obama ligava para as minorias – ou seja, para eles. E que Romney não ligava.

A resposta republicana ao ataque dos Democratas (que é chamar de “retórica da luta de classes”) não funciona porque é uma abstração. A “retórica da luta de classes” não tem nenhum rosto humano; ela tem a ver com um estilo político. Criticar os ricos por “não pagar seu justo quinhão” é um ataque direto a um alvo facilmente identificado. É por isso que tantos ricos contribuintes – inclusive da indústria do entretenimento, que normalmente são democratas – ficaram indignados com a difamação. Mais importante, o ataque dos democratas aos ricos é um apelo emocional àqueles que não são ricos. Demonstra que alguém se importa com eles.

Usar o termo “luta de classes” é uma maneira educada de discutir um problema. É um hábito que os republicanos parecem incapazes de romper. Ele impede o dedo-duro, que é indicar um adversário e cobrar responsabilidade dele. As eleições são disputas entre adversários. Elas têm a ver com a derrota dos opositores.

As eleições têm necessariamente a ver com “nós” e “eles”. Os democratas são tão hábeis em enquadrar o “eles” quanto os republicanos não são. Os democratas sabem como incitar inveja e ressentimento, desconfiança e medo. E sabem direcionar essas emoções voláteis contra os adversários republicanos. Enquanto isso, os republicanos se ocupam em reclamar do estilo da argumentação dos democratas.

Os republicanos defendem os ricos às suas custas. Os democratas estão empregando a retórica da luta classes. Qual desses dois argumentos vai pegar os eleitores com mais eficiência? Qual argumento fará com que os eleitores acreditem que o candidato se preocupa com eles.

Uma pesquisa realizada pela CNN perguntou, “Qual é a qualidade mais importante do candidato para que ele receba o seu voto?” As quatro opções eram “Líder forte”, “Partilha das suas convicções”, “Tem um plano para o futuro” e “Se preocupa com as pessoas.” Romney ganhou as primeiras três por mais de 54%. Mas ele perdeu “Se preocupa com as pessoas” por 81-18%. Está explicado.

A margem de derrota de Romney não era intransponível. Ele tinha a vantagem de ser um bom ano eleitoral para os republicanos. Todos os ativistas de direita achavam que o destino do país estava em jogo. Por outro lado, os democratas entraram na campanha depois de decepcionar um segmento significativo da própria base política. Eles deram prosseguimento a guerras que haviam prometido encerrar e administraram uma economia com elevada taxa de desemprego entre grupos eleitorais críticos: mulheres, hispânicos e afro-americanos. Ainda assim, eles foram capazes de provocar medo e raiva suficientes contra os republicanos ricos que terceirizavam empregos e supostamente não pagavam o justo quinhão para energizar a base e alcançar uma vitória.

Atrás do fracasso das campanhas republicanas encontra-se uma atitude que é administrativa em vez de ser combativa. Ela se apoia em postura em vez de política. Ela se sente mais a vontade entre orçamentos e gráficos do que com as vítimas de carne e osso das políticas dos adversários. Quando os republicanos mencionam vítimas, elas em geral são pequenos empresários e outros “criadores de emprego” – pessoas que, aos olhos da maioria dos americanos, são ricas.

Para rebater as acusações dos democratas de que são defensores dos que têm conforto e algozes dos fracos, os republicanos têm apenas uma resposta: É um mal-entendido. Atentem para os fatos. Não somos tão ruins assim. Nas raras ocasiões em eles realmente se dispõem a combater os acusadores, os republicanos dizem: É tática separatista. É luta de classes.

Mesmo se os eleitores forem capazes de “atentar para os fatos”, esse tipo de resposta não é lá muito inspiradora. É uma resposta na defensiva, é ranheta e também é complicada. Claro que as eleições são antagônicas – essa é a natureza delas. Um lado ganha e o outro perde. Mas ainda mais preocupante é o fato de que o tipo de resposta dos republicanos exige informações adicionais e longas explicações para fazer sentido. Apelos à razão são enterrados no ruído estridente que é a política eleitoral. Entender a verdade seria uma tarefa difícil, mesmo se os eleitores fossem deixados em paz para tomar as próprias decisões.

Mas os eleitores não são deixados em paz. Eles são bombardeados com milhares de mensagens de TV e de mídia eletrônica que os confrontam com dados contraditórios e maliciosas distorções. Essa tapeação não tem nada de inocente. Ela é trabalho dos profissionais que executam campanhas políticas e que são contratados por serem peritos em desinformação e em deturpar os fatos. No mundo alheio à política, isso se chama mentira; em política, se chama enrolação e, de uma forma ou de outra, todo mundo faz. Mas os democratas fazem muito melhor e com muito mais agressividade do que os republicanos.

Os democratas são diferentes

Existe uma razão e ela afeta tudo o que se passa em campanhas políticas. Republicanos e democratas não são pessoas semelhantes que têm opiniões opostas a respeito de problemas comuns e suas soluções — gastar é bom, aumento de imposto é ruim. Os republicanos e os democratas abordam a política a partir de pontos de vista fundamentalmente diferentes. Tais pontos de vista embasam não só a maneira como cada lado pensa a respeito de questões de política, mas também o modo como eles entram na arena para enfrentar os adversários.

O Partido Democrata já não é o partido de John F. Kennedy, cuja política era idêntica à de Ronald Reagan (militante anticomunista, águia militar, a favor de um corte de impostos sobre ganhos de capital e de um orçamento equilibrado). Nem sequer é o partido de Hubert Humphrey, que apoiava a guerra do Vietnã – uma guerra à qual todo legislador democrata contemporâneo e agente se opõe em retrospecto, e a qual muitos, como John Kerry, Bill e Hillary Clinton, se opuseram na época. O Partido Democrata vem se direcionando paulatinamente para a esquerda desde a campanha de McGovern, em 1972. Ele é hoje um partido liderado por socialistas e progressistas que estão convencidos de que suas políticas estão pavimentando o caminho para um “mundo melhor”.

Esta imagem de progresso moral e social influencia profundamente a forma como os democratas conduzem as batalhas políticas. Ao contrário dos republicanos, os democratas não estão na política só para dar um jeito no governo e resolver problemas. Eles são missionários seculares que querem “mudar a sociedade”. O objetivo deles é uma nova ordem da sociedade, a “justiça social”. Eles se consideram redentores sociais, pessoas que vão mudar o mundo. É a crença em um futuro de redenção que é responsável pela paixão deles e por sua furiosa agressividade contra aqueles que ficarem em seu caminho. Quando era presidente, Bill Clinton disse a Dick Morris que ele tinha de “entender que Bob Dole” – um republicano moderado – “era do Mal”. É o mesmo fervor missionário que permite que os democratas justifiquem uma campanha acusando um homem decente como Mitt Romney de provocar a morte de uma mulher vítima de câncer.

Os republicanos acham que os democratas estão apenas equivocados. Os democratas acham que os republicanos, sejam quais forem as intenções e o comportamento deles, são inimigos dos justos e do Bem. Os republicanos não têm qualquer crença paralela que os oriente e a seus programas de intenções, e não têm qualquer motivo que faça com que desprezem ou odeiem os adversários.

Se a prioridade dos democratas fosse dar um jeito nos problemas de governo, será que eles seriam incapazes de produzir um orçamento por quatro anos seguidos? Se os democratas fossem políticos pragmáticos, quando chegaram ao poder em face de uma crise nacional como o colapso financeiro de 2008, o primeiro passo deles seria procurar apoio bipartidário para dar um jeito nos problemas mais prementes: empregos e a revitalização da economia. Foi exatamente isto que Obama prometeu durante a campanha e é uma das razões de ele ter sido eleito. Mas foi só promessa de campanha e não foi isso o que ele fez. Ele passou os dois primeiros anos de mandato impingindo um monumental programa em prol de um novo direito. Se Obama e os democratas estivessem a fim de enfrentar a crise econômica mais imediata, eles não teriam usado o monopólio do poder para pugnar por um novo programa social de um trilhão de dólares rejeitado por metade da nação e por todo e cada um dos republicanos no Congresso.

A razão pela qual os democratas deram prioridade total ao Obamacare é porque eles são missionários sociais cujo objetivo é “fundamentalmente transformar” os Estados Unidos da América, como Obama advertiu cinco dias antes da eleição de 2008. Criar um novo programa de governo monumental que absorveria um sexto da economia e deixar todos os americanos dependentes do governo para o atendimento de saúde era a verdadeira ordem do dia. Era um programa que eles encaravam como um marco no caminho para a fundamental transformação da sociedade americana.

É assim que os progressistas raciocinam e é melhor os republicanos começarem logo a entender o que isso significa. Os progressistas não estão na política para mexer com o sistema existente, embora eles entendam que consertar e corrigir problemas ao longo do caminho ganha voto. Eles estão na política para alcançar a “justiça social” – para transformar o sistema e a maneira como os americanos vivem.

Por que os progressistas não percebem que o futuro que eles alardeiam – com suas “soluções” socialistas – já fracassou em outros lugares, especialmente na Europa? Porque aos olhos deles, o futuro é uma ideia que ainda não foi tentada. Se o socialismo fracassou na Europa foi porque eles não estavam no comando para implementá-lo e não havia dinheiro suficiente para financiá-lo.

É a própria magnitude da ambição dos progressistas que faz os fiéis perseguirem-na com tanto fervor. Através de programas de governo, eles tornarão todos iguais e cuidarão de todos os necessitados. Eles vão estabelecer a igualdade social e criar a justiça social. É uma visão inebriante e explica por que e como eles são diferentes dos conservadores. Não importa que os monumentais direitos inerentes que eles criaram — Seguridade Social e Medicare — já estejam falidos. Isso pode ser resolvido obrigando-se as pessoas mais ricas a pagarem mais do que o seu justo quinhão. No fundo dos corações, os progressistas acreditam que se puderem amealhar dinheiro bastante e acumular poder suficiente, eles poderão criar um futuro onde todos estão garantidos e em que todo mundo é igual. Tudo o que os democratas fazem e todas as campanhas que realizam têm a ver com a mobilização de seus exércitos políticos para fazer acontecer o glorioso futuro, tem a ver com realizar os planos deles um programa e um candidato de cada vez. Nenhum republicano no seu perfeito juízo pensa assim.

A visão do futuro glorioso dá caráter de urgência às cruzadas deles e os incentiva a odiar os adversários. Um republicano como Mitt Romney pode ser uma pessoa decente, mas ele é uma pedra no caminho dos sonhos impossíveis. Logo, ele é odiento. A própria magnitude do sonho – atendimento médico garantido a todos, habitação garantida a todos, rendimentos garantidos a todos – é tão inspiradora que lhes dá motivação para buscar a terra prometida a qualquer custo. Se for preciso mentir, cometer fraude eleitoral ou demonizar os oponentes taxando-os de racistas, egoístas e indiferentes, que assim seja. Os belos fins justificam os nem tão bonitos meios.

Quando os democratas exigem anticoncepcionais gratuitos e afirmam que seus oponentes estão conduzindo uma guerra contra as mulheres, os republicanos balançam a cabeça sem conseguir acreditar. Como qualquer pessoa poderia, em sã consciência, acreditar em uma coisa dessas? Os republicanos não entendem o espírito da coisa. O problema em questão para os progressistas não tem importância. O que interessa é sempre a transformação da sociedade que eles querem porque querem atingir. Como a própria Sandra Fluke declara, a questão do fornecimento de anticoncepcionais gratuitos não tem só a ver com os anticoncepcionais; tem a ver com toda a gama de mudanças que virão para liberar as mulheres (quanto mais o governo provê para elas, mais livres elas se tornarão) e às quais os republicanos se opõem.

O ódio dos progressistas pelos conservadores, portanto, não é uma reação a um problema específico, ou qualquer lapso de linguagem em particular. É um ódio por aquilo que os conservadores são. Os conservadores são pessoas que acreditam em um em governo limitado. Pela própria natureza, governo limitado significa a morte dos sonhos progressistas. Aos olhos dos progressistas, conservadores e republicanos são, na verdade, contra a mulher, contra as minorias e contra os pobres. Os republicanos se opõem à mera noção de que o governo deve funcionar como um salvador social.

Os republicanos são reacionários e odiosos porque eles ficam no caminho de uma sociedade que pode e deve cuidar de cada homem, mulher e criança do berço ao túmulo. Os republicanos têm uma visão de política que é fundamentalmente diferente. Os republicanos não querem mudar o mundo. Eles querem consertar os sistemas que estejam quebrados. Eles não são missionários, e eles não estão vendendo uma terra de sonhos. Esses objetivos práticos não levam ao desprezo pelos oponentes ou a considerá-los o Mal encarnado. Os republicanos acham que os adversários estão equivocados quanto ao modo de resolver alguns problemas em particular.

Como os republicanos estão conscientes do passado, eles não têm certezas sobre o futuro e, sendo assim, eles desconfiam dos sonhos impossíveis. Eles têm esperanças de um futuro melhor que o presente, mas estão conscientes de que as coisas poderiam estar ainda piores. Muitos problemas são insolúveis e não vão desaparecer. Por adotarem essa postura, muitas emoções conservadoras jamais se inflamarão tanto quanto as dos adversários progressistas.

O instinto deles é criar planos práticos e explicar como problemas específicos podem ser resolvidos. É por isso que eles apelam para fatos e argumentos e gastam muito tempo explicando as coisas para os eleitores. Mas os eleitores foram avisados para não confiar nos argumentos deles, pois são os argumentos dos inimigos de mulheres, crianças, minorias e da classe média.

A única maneira de enfrentar a campanha emocional que os democratas promovem em todas as eleições é uma campanha igualmente emocional que coloque os agressores na defensiva; que os combata com a mesma linguagem moral, identificando-os como os maus, os opressores de mulheres, crianças, minorias e da classe média, que os arranque do púlpito de moralidade que agora ocupam. Não se pode rebater um argumento moral baseado em emoções com uma análise intelectual. Ainda assim, é o que, básica e quase exclusivamente, os republicanos fazem.

Uma estratégia para a vitória dos republicanos

1. Colocar os agressores na defensiva.

2. Colocar as vítimas deles — mulheres, minorias, os americanos pobres e trabalhadores — na frente de cada argumento e de todas as posturas da mesma forma que eles fazem.

3. Começar a campanha agora (porque os democratas já começaram).

As armas da política são a esperança e o medo

As armas das campanhas políticas são imagens, slogans e frases de efeito projetadas para inspirar duas emoções: medo e esperança. Obama ganhou a presidência em 2008 com uma campanha de esperança; ele ganhou a reeleição em 2012 com uma campanha de medo.

A esperança funciona, mas o medo é uma emoção muito mais forte e muito mais proativa. Em uma campanha política, ela é direcionada contra o adversário político. Os democratas exploram esta emoção até o talo; os republicanos, muitas vezes, parecem bem educados demais para empregá-la.

A outra emoção, a esperança, não só é mais fraca, mas está em desacordo com o pessimismo básico dos conservadores e o ceticismo deles a respeito de soluções políticas. Ao contrário dos progressistas, os conservadores não esperam resultados cósmicos advindos de programas políticos – salvar o planeta, criar um mundo mais justo. Consequentemente, para os republicanos, a esperança é menos eficaz como apelo político.

Parece que os republicanos acham que o jeito de se inspirar esperança é oferecer soluções práticas aos eleitores, tais como o plano de Paul Ryan para equilibrar o orçamento. Paul Ryan é um conservador inteligente e é provável que o Plano Ryan seja bom. Mas controlando apenas a Câmara dos Deputados, os republicanos não tinham chance de implementá-lo quando o Plano foi votado. Pior, no mundo real da batalha política, enfrentando uma oposição sem escrúpulos, um plano oferecido por um partido sem meios de implementá-lo é um tiro no pé. Não se pode colocar o plano em ação para mostrar que funciona, e ninguém, fora as raposas felpudas da política, vai conseguir entendê-lo. A única coisa que o Plano faz é oferecer vários alvos para os marketeiros abaterem – e é o que eles vão fazer ao distorcer as especificidades e ignorar o plano em si. Praticamente todo o eleitorado vai achar o Plano tão complicado, os detalhes tão obscuros que ele vai continuar invisível. Só quem já confia nos criadores do Plano será convencido de que este é um bom motivo para votar neles.

Esperança em política é um apelo ao coração, não à cabeça; às emoções, não à razão. Uma vez que é um apelo à emoção, é normalmente baseada em grandes quantidades conversa fiada. Nas eleições de 2008, esperança era o primeiro negro a concorrer à Presidência efetivamente com chance de vitória. Era Obama fazendo uma promessa vã: “Não existe uma América liberal e uma América conservadora. Existem os Estados Unidos da América. Não existe uma América negra e uma América branca, uma América latina, uma América asiática; existem os Estados Unidos da América. Não existem estados azuis ou vermelhos, existem os Estados Unidos.” Obama não precisava fazer mais nada para inspirar esperança além de ser negro, falar inglês padrão e fazer o gesto – desonesto e vazio, como veio a ser – que prometia unir americanos e fazer o país superar as divisões raciais.

A narrativa de campanha

As duas emoções que impulsionam a política — esperança e medo — são amarradas por uma narrativa que está subjacente a todas as disputas políticas americanas. Esta narrativa é a história do oprimido e o seu triunfo sobre as adversidades. Tanto os democratas quanto os republicanos moldam as narrativas de suas campanhas eleitorais usando esta história, mas o fazem de maneiras radicalmente diferentes.

Quando os republicanos usam a narrativa do pobre coitado, é principalmente como uma história de oportunidades, dos americanos superando origens humildes. Este foi um tema fundamental na Convenção presidencial republicana de 2012 e foi tema de discursos de Ann Romney, do governador Christie, de Marco Rubio, de Susanna Martinez e de Condoleezza Rice. Foi um apelo aos eleitores para proteger e/ou restaurar os valores e as instituições que oferecem tais oportunidades.

É uma boa história de esperança e foi eficaz nas mãos de palestrantes como Rice. Mas não consegue instilar medo ou direcionar esse medo contra os adversários políticos de uma forma que maximize o impacto emocional. Uma crítica que se pode fazer à narrativa republicana é que são as posturas em vez de uma figura humana que estão bloqueando os caminhos da oportunidade. Impostos mais elevados e muita regulamentação — governo demais — sufocará a oportunidade para os americanos que estão subindo na vida.

Vejam como Obama descartou a tese republicana em seu discurso de aceitação na Convenção Democrata: “Tudo o que [os republicanos] têm a oferecer é a mesma receita que usaram nos últimos trinta anos: tem superávit? Tome um corte nos impostos. O déficit está muito alto? Tome outro corte. Acha que vem um resfriado aí? Tome dois cortes de impostos, reverta alguns regulamentos e ligue pra nós de manhã!”

A narrativa republicana é uma abstração. Ela fala de posturas e receitas, a cujo respeito as pessoas razoáveis podem discordar: quanto será que uma taxa fiscal três ou quatro por cento mais alta — a taxa que prevaleceu nos anos prósperos Clinton — sufocará a oportunidade?

Toda a argumentação permanece intelectual até os democratas entrarem no papo. Aí, ela se torna emocional. Os democratas se apresentam como campeões dos oprimidos, do pobre coitado americano. O contra-argumento é que o governo é necessário para fornecer a oportunidade para aqueles que não dispõem dela – qualquer que seja a taxa fiscal. Pela narrativa dos democratas, o setor privado não oferece oportunidade para aqueles deixados para trás, e programas de governo são necessários para preencher a lacuna. Os democratas querem ajudar as pessoas que precisam de ajuda. É um poderoso apelo emocional para todos os americanos, até mesmo os republicanos. Em comparação, o argumento republicano parece egoísta: os republicanos se preocupam é em se ajudar a si mesmos (não aumentar os impostos dos ricos) — ou em ajudar pessoas que podem se ajudar a si mesmas — pessoas que podem aproveitar as oportunidades sem ajuda do governo. É difícil simpatizar com essa opinião, a não ser que se conheça o modo como o sistema econômico efetivamente funciona.

Quando os democratas contam a história do pobre coitado, ela não é uma abstração, mas um ataque poderoso, polarizador e emocionalmente carregado contra os adversários republicanos. Na narrativa democrática, os republicanos são retratados como opressores. Eles são os inimigos da esperança e, em particular, das esperanças dos oprimidos da América por igualdade, um justo quinhão e uma mão amiga quando necessário. Enquanto os republicanos concentram a própria narrativa em uma terra de paz, os democratas concentram a deles na linha de frente de uma nação em guerra. Aqui está uma nota da Convenção Democrata, de setembro de 2012:

CHARLOTTE, Carolina do Norte (Reuters) – duas dúzias de mulheres democratas da Câmara dos Deputados dos EUA formalizaram a acusação de que os republicanos estão travando uma “guerra contra as mulheres” no palanque da Convenção do partido na terça-feira com ácidas críticas à plataforma republicana no que concerne ao atendimento médico, equiparação salarial e violência doméstica. Encabeçadas por Nancy Pelosi, da Califórnia, a única mulher a servir como presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, as mulheres defenderam a plataforma do partido que afirma que os democratas protegerão os interesses das mulheres contra o que elas descreveram como atentados dos republicanos.

Esta ensaiada declaração de guerra foi liderada pela porta-voz da Câmara, Nancy Pelosi. A finalidade era disparar a narrativa central da campanha: os republicanos estão em “guerra” contra as mulheres, as minorias e a classe média. A narrativa dos democratas se baseou no modo como esses grupos de vítimas foram oprimidos — ou, no caso das minorias, suprimidos — pelos republicanos malvados que pretendem fazer o tempo histórico andar para trás, prejudicando os fracos e aqueles que precisam de uma chance para realizar o sonho americano. Trata-se de uma poderosa mensagem emocional.

Mas essa estratégia democrata não é nenhuma novidade. Aqui está um chamado às armas da Convenção Democrata de 1996: “Nós precisamos trabalhar como nunca entre hoje e 5 de novembro para tomar o Congresso de volta dos… republicanos, porque, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, os republicanos são a verdadeira ameaça. Eles são a verdadeira ameaça às nossas mulheres. Eles são a verdadeira ameaça às nossas crianças. Eles são a verdadeira ameaça à água potável, ao ar puro e à rica paisagem da América.”

Os republicanos são os inimigos das mulheres, crianças e do meio ambiente! O autor deste anátema foi o governador de Nova York e potencial candidato à presidência Mario Cuomo. Esta declaração de guerra foi feita há 16 anos. Os republicanos são alvo desse tipo de ataque há pelo menos quatro eleições presidenciais. E eles ainda não começaram a reagir contra ela e muito menos a responder à altura.

Até hoje, nenhum republicano falou desse jeito a respeito dos democratas, em especial nenhum republicano de projeção nacional ou prócer do partido. A Convenção Democrata de 2012 foi toda dedicada às vítimas das políticas republicanas e à caracterização dos republicanos como seus algozes. Os democratas estavam no poder havia quatro anos, mas na Convenção Republicana de 2012, não houve quase nenhuma das vítimas das políticas democratas.

Em uma autópsia da eleição, o coordenador adjunto da campanha de Romney analisou a derrota desta forma: “O que interessa é que a campanha de Obama [tinha] um candidato muito difícil de atacar, pois [ele] era uma pessoa de quem o povo americano em geral resolveu que gostava.”

Isso é uma clássica desculpa esfarrapada. Campanha eleitoral está aí pra isso mesmo, pra tornar o outro candidato antipático. A campanha de Obama foi toda dedicada a fazer exatamente isso com o candidato republicano. Eles difamaram um americano decente e trabalhador taxando-o de predador desonesto, indigno de confiança. A recusa da campanha Romney em encostar a mão em Obama é a razão de ainda gostarem dele.

O coordenador da campanha de Obama estava presente na mesma conferência. A equipe dele não tinha a noção de que o candidato deles era tão simpático Romney não podia nem encostar a mão nele. Muito pelo contrário. A ideia deles é que “eles [os republicanos] perderiam a eleição se ela fosse um referendo ao Presidente.” Eles escolheram uma estratégia que desviava a atenção do candidato deles ao atacar Romney classificando-o como membro da classe abastada indiferente que demitiu gente sem dó nem piedade, transferiu empregos para o exterior e era rico demais para se preocupar com os outros.

Aprendendo a usar o planejamento de guerra dos democratas

Ao longo da campanha republicana, houve muita conversa sobre “criadores de emprego.” Muito se defendeu os “criadores de emprego,” a quem os democratas rapidamente redefiniram como ricos que não pagam seu justo quinhão. Esse é o problema com o uso de uma “defesa impeditiva.” A maioria dos americanos vê os criadores de emprego – os empregadores – como gente rica. Se você defende os mandachuvas, você perde. Se você luta pelos desprivilegiados, você tem de partir para o ataque.

E os destruidores de empregos? E o democratas que estão matando os empregos dos americanos comuns — não estão apenas fracassando na criação — o que é uma maneira antisséptica e acovardada de falar?

Os democratas, que entendem a psicologia do pobre-coitado, acusaram os republicanos exatamente disso: destruir empregos. Eles alvejaram Mitt Romney com um comercial de US $300 milhões que o retratava como o destruidor de empregos número um do país a prejudicar os trabalhadores americanos.

Destruidor de emprego era uma descrição espúria de um homem cujo negócio era revitalizar empresas à beira da falência. Mas era — ou deveria ser — a mais perfeita tradução do democrata adversário dele. Quantos empregos a América perdeu sob o reinado antiempresarial de Obama?

Quanto desemprego Obama provocou entre afro-americanos, latinos, mulheres? A taxa de desemprego oficial em Detroit, após 50 anos de regime democrático e quatro anos de estímulo de Obama foi de 19%, mas na verdade 45% estavam desempregados.

Trinta e cinco por cento dos cidadãos de Detroit dependem dos cupons-alimentação. Os democratas destroem empregos e empobrecem as pessoas. Por que não houve nenhum comercial de US$ 300 milhões da campanha republicana que declarasse exatamente isto?

Por que os republicanos hesitam tanto em apontar as vítimas das políticas democratas, particularmente as vítimas pertencentes às comunidades minoritárias e classes trabalhadoras da América? Por que os republicanos não acusam os democratas de serem uma ameaça para tais comunidades da mesma maneira que Cuomo acusou os republicanos de ser uma ameaça às mulheres? Como se pode vencer uma guerra quando os adversários estão lutando com bazucas e o seu lado está lutando com mata-moscas?

Defender as vítimas dos destruidores de empregos é moral e emocionalmente mais forte do que defender os ricos criadores de empregos. Cria simpatia e desperta raiva. Inspira preocupações a respeito de justiça. É assim que os democratas recrutam e energizam os militantes. E a maneira — a única maneira — dos republicanos poderem neutralizar os ataques dos democratas que os acusam de defensores dos ricos e virar o jogo contra eles é enquadrando-os como os inimigos dos americanos e da classe média.

Durante os quatro anos de mandato de Obama, os afro-americanos – afro-americanos de classe média – perderam metade patrimônio líquido como resultado do colapso do mercado imobiliário. São 100 bilhões de dólares em ativos pessoais que desapareceram dos bolsos dos afro-americanos por causa de uma campanha democrata de 25 anos de idade para retirar exigências para empréstimo a compradores de imóveis. Ainda assim, em 2012, os republicanos foram educados demais mencionar isso!

As impressões digitais de Barack Obama, Jimmy Carter, Bill Clinton e Barney Frank estavam por toda a crise das hipotecas subprime. A campanha para retirar as exigências para empréstimo a afro-americanos e outros tomadores oriundos de minorias começou com a Lei da Comunidade de Reinvestimento de Jimmy Carter. Ela levou milhares de negros e hispano-americanos pobres a comprar casas que não tinham condições de pagar e que acabaram perdendo. Quanto a perda do próprio lar é traumática?

Ao assegurar as hipotecas protestadas, os acumuladores democratas de Wall Street, que derramaram US $100 milhões na campanha de Obama de 2008 ganharam dezenas de milhões em cima do sofrimento daqueles que perderam as casas. Em outras palavras, com a ajuda de Clinton, Obama e de Frank, os democratas de Wall Street lucraram maciçamente nas costas dos negros e hispano-americanos pobres. Mas os republicanos foram bem-educados demais para falar disso. Ali se perdeu uma oportunidade de neutralizar as acusações que os democratas fazem aos republicanos de ser o partido dos ricos e exploradores dos pobres. Era uma chance de criar uma gigantesca dissenção na base democrática.

Em suma, se os republicanos querem convencer as minorias de que eles se importam, é preciso que tomem uma atitude em defesa deles. Eles têm de defendê-las; e eles têm que mostrar às minorias que os democratas as estão fazendo de otárias, as estão explorando, oprimindo e lucrando com o sofrimento delas.

Grandes contingentes de afro-americanos e hispânicos pobres se concentram em áreas mais degradadas das metrópoles dos EUA: Detroit, Chicago, Philadelphia, St. Louis, Harlem, South Central em Los Angeles. Nessas áreas, as taxas de desemprego explodiram, os sistemas de ensino público são tão corruptos e ineficientes que metade das crianças desiste antes de se formar e metade dos que se formam são analfabetos funcionais. Esse contingente nunca terá um emprego decente ou uma chance de realizar o sonho americano.

Nessas áreas metropolitanas, todas as Câmaras municipais, todos os conselhos escolares e todos os distritos escolares são 100% controlado por democratas há mais de 70 anos. Os democratas são responsáveis por tudo que está errado nas áreas metropolitanas e nas escolas delas e que a vontade política pode consertar. Os democratas estão esmagando a garganta de milhões de crianças afro-americanas e hispânicas pobres e as estão matando por estrangulamento ano após ano. Mas os republicanos são bem-educados demais para falar disso.

No meio da campanha de 2012, uma greve do sindicato dos professores fechou as escolas em Chicago, cidade natal do Obama. O problema não era salarial, mas a recusa do sindicato em permitir que os prêmios aos professores fossem ligados ao desempenho dos professores. As crianças afro-americanas e hispânicas foram as verdadeiras vítimas d o empenho em proteger os maus professores e não premiar os bons. Ainda assim, os republicanos ignoraram a greve e nunca deram um rosto às vítimas.

Na Convenção Republicana, um orador mencionou os sindicatos de professores e a questão dos prêmios aos professores e da obstrução do sindicato. Foi o governador Chris Christie, talvez o mais agressivo e articulado guerreiro republicano. Mas vejam aqui como Christie enquadrou a atrocidade dos democratas e do sindicato:

Acreditamos que a maioria dos professores da América sabe que o nosso sistema precisa ser reformado para colocar os alunos em primeiro lugar para que a América possa competir… Nós [republicanos] acreditamos que devemos reconhecer e recompensar os bons e, ao mesmo tempo, fazer todo o possível pelo futuro da nossa nação — exigir responsabilidade, padrões mais elevados e o melhor professor em sala de aula.

Eles acreditam que o sistema de ensino sempre se colocará em primeiro lugar, à frente das crianças. Que interesse pessoal supera o senso comum. Eles acreditam em açular sindicatos contra professores, educadores contra os pais e lobistas contra as crianças. Eles acreditam em sindicatos de professores.

E foi só isso o que ele disse. As questões estão lá – responsabilidade, padrões e recompensas para o desempenho do professor. A política está lá. Mas está faltando indignação moral. Faltam as vítimas e os culpados não foram identificados. Não é o “sistema educacional” que está arruinando a vida e prejudicando as oportunidades das crianças afro-americanas e hispânicas. São os democratas – eles representam o sistema educacional em todos os distritos com escolas públicas com péssimo desempenho. Os sindicatos democratas de professores e o Partido Democrata que os apoia estão destruindo as vidas dos estudantes afro-americanos e hispânicos, cujos pais são demasiado pobres para colocá-los em escolas particulares – as mesmas escolas particulares para onde os legisladores democratas e os dirigentes sindicais mandam os próprios filhos.

Democratas vão lutar até a morte para evitar que pais pobres recebam vouchers que contemplem os filhos deles com a mesma educação que os legisladores democratas bem nascidos oferecem aos próprios filhos. Trata-se de uma atrocidade moral. É uma questão que causa revolta e digna de mobilizar o eleitorado. É um problema que poderia criar uma gigantesca dissenção na base democrata. Mas os republicanos são educados demais para fazer isso.

Esta é só a mais evidente das atrocidades que os democratas estão cometendo contra as minorias pobres da América. Subverter as estruturas familiares através de um sistema de assistência social equivocado, incentivando a dependência da assistência alimentar, oferecendo incentivos para que se traga ao mundo um número monumental de crianças sem a menor perspectiva de uma vida decente só para faturar um troco da assistência social. Estes são os frutos podres das políticas de assistência social dos democratas e que estão saindo totalmente de controle. Os republicanos acusam esses programas de “perdulário”. Eles precisam começar a atacá-las declarando que são destrutivos, que são agressões contra os seres humanos que eles tapeiam.

O jeito dos republicanos mostrarem que se importam com as minorias é defendê-las contra seus opressores e exploradores, que, em todas as áreas metropolitanas degradadas da América, sem exceção, são democratas. Os democratas administram a assistência social e o sistema de ensino público; eles criaram as posturas que ferraram com a vida dos que receberam esmolas deles. Está na hora de os republicanos começarem a chamar os democratas às falas; de colocá-los na defensiva e acabar com o monopólio da moralidade que eles detêm ilegitimamente. A assistência social do governo não é só perdulária; ela é destrutiva. O sistema de ensino público nas áreas metropolitanas da América não é meramente ineficaz; ele é criminoso e racista.

Os democratas consideram a política como uma guerra travada por outros meios. A ordem do dia não é buscar um consenso em prol de soluções práticas para problemas complexos. A ordem do dia é acumular poder para impor a transformação fundamental da sociedade americana em um estado socialista redistributivo. Os democratas consideram os republicanos como inimigos atrapalhando o caminho da justiça e do progresso sociais. Toda questão, para eles, é um meio para um fim maior, que em primeiro lugar é o poder, e posteriormente é a transformação da sociedade americana em um estado socialista redistributivo.

Como os democratas consideram a política uma guerra travada por outros meios, eles procuram demonizar e destruir os adversários taxando-os de inimigos do progresso, da justiça social e dos direitos das minorias. Os republicanos só podem rechaçar esses ataques virando as armas democratas contra eles próprios – expondo-os como os paladinos da injustiça, particularmente contra as minorias e os pobres, como exploradores dos elementos mais vulneráveis da sociedade e como reacionários defensores das políticas que já provaram no mundo inteiro que estão falidas e são destrutivas.

Tradução: Cláudia Costa Chaves

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