Alexandre Borges

@alex_borges




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“Ah, se eu fosse presidente…”

O Bom Dilma Rio de hoje cobriu a noite de autógrafos de “Ah, se eu fosse presidente…”, livro do jornalista Sidney Rezende. O conteúdo, segundo a reportagem, é uma série de depoimentos de celebridades, jornalistas (claro) e eleitores comuns sobre o que fariam se estivessem sentados na cadeira da sra. Dilma Rousseff.

Não li o livro e, evidentemente, não vou comentar seu conteúdo específico, mas o teor da reportagem exibida dá o que pensar. No meu tempo de criança, esse tema era restrito às redações de colégio. Joãozinho dizia que ia dar educação para todos, Mariazinha falava que daria hospitais, Juquinha distribuiria comida e todos receberiam uma nota alta e um “muito bem” da professora. Hoje esse mesmo tema é assunto de livro para adultos.

O livro parece resumir dois erros fundamentais que infelizmente aleijam o pensamento de grande parte dos jornalistas: primeiro, que a solução para os problemas está nas mãos do governo, personificado pela figura do presidente, e que a eficiência do governo está ligada não à experiência, vocação ou competência mas às boas intenções.

No seu discurso inaugural em 20 de janeiro de 1981, Ronald Reagan disse uma das frases do século: “o governo não é a solução para os nossos problemas, o governo é o problema.” Mesmo numa nação mais avançada, é uma idéia que tem que ser repetida de tempos em tempos.

A política como é organizada hoje é um terreno fértil para o populismo, para o messianismo e para esse sebastianismo de pé quebrado tão comum e nada mais importante do que lutar dia e noite pelo controle da expansão e da influência do governo na vida da população, espoliada e expropriada de grande parte de seus ganhos para bancar a burocracia estatal. O próprio Reagan também dizia que a liberdade está sempre a uma geração da extinção.

A idéia de que basta um conjunto de boas intenções para que o governo salve a população é um eco do fantasma de Jean-Jacques Rousseau que insiste em assombrar o debate político até hoje.

Os EUA construíram o país mais livre, próspero e bem sucedido da história da humanidade com uma sociedade religiosa e moral, com um forte senso de comunidade e associação voluntária, e liberdade para buscar a própria felicidade empreendendo, estudando, inovando, produzindo e sendo útil ao próximo.

Ainda não apareceu uma idéia melhor que essa, mas as chances de explicar isso a quem acha que basta dar poderes imperiais e orçamento ilimitado a alguém, mesmo que com alegadas boas intenções, ajuda a explicar parte do nosso subdesenvolvimento. E é por isso que, mais do que novos políticos, precisamos urgentemente de gente pensando o país para além das redações de colégio.

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Acordo histórico com o Irã? Pense novamente.

A Coréia do Norte iniciou seu programa nuclear no final dos anos 50 com ajuda soviética, construindo sua primeira instalação de pesquisa em 1965. Durante os anos 70 e 80, os nortecoreanos riram dos ocidentais mentindo sobre se estavam ou não fazendo pesquisas e levantando usinas para ter sua bomba nuclear.

As tensões chegaram ao limite em 1994, durante o governo Bill Clinton. Em junho, Jimmy Carter é enviado à Coréia do Norte para negociar com Kim Il-sung (foto), o genocida que iniciou o regime mais brutal do mundo hoje, pai de Kim Jong-il e avô de Kim Jong-un. Kim Il-sung morreria poucos dias depois.

O “acordo histórico” foi comemorado pela imprensa, como tudo que um presidente democrata faz e exatamente como está fazendo agora com o acordo do governo Barack Obama com os aiatolás iranianos.

korea2600A história era a mesma: os EUA dariam dinheiro, muito dinheiro, para a Coréia do Norte e, em troca, os novos parceiros juravam de pé junto que nunca fariam uma bomba nuclear. Mesmo as pedras de Washington sabiam que Pyongyang nunca levou sua parte do acordo a sério, mas ficou muito feliz em receber caminhões de dinheiro americano em troca de nada.

O final da história você já sabe: a Coréia do Norte embolsou o dinheiro, fez sua bomba nuclear e continua escravizando seu povo e desestabilizando a região, agora com um arsenal nuclear para assombrar os vizinhos.

Qual a chance de um único analista brasileiro ser honesto sobre as reais chances de sucesso desse acordo dos EUA com o Irã? Alguém vai ao menos aceitar a hipótese de que o acordo pode ser, como foi o acordo com a Coréia do Norte em 1994, um fracasso retumbante que não conseguiu parar o programa nuclear da ditadura e ainda encheu o bolso dos genocidas de dinheiro?

A Coréia do Norte é uma potência nuclear hoje e um grande risco para o mundo em função de administrações americanas puramente ideológicas e incompetentes, para não dizer traidoras do próprio país, que insistem em criar “acordos históricos” com fotos de apertos de mão para a imprensa enquanto dão dinheiro, tempo e poder para os piores ditadores do planeta.

Consertar o erro com a Coréia do Norte hoje é bem mais difícil do que era no início dos anos 90, estágio que a teocracia iraniana se encontra atualmente. Ano que vem teremos eleições nos EUA, uma das últimas chances de parar o Irã antes que seja tarde demais.

Feliz Páscoa!

Jesus de Nazaré, o homem mais influente da história da humanidade, fundou a religião mais popular do mundo, atualmente com 2,5 bilhões de fiéis. No dia de hoje comemora-se sua ressurreição dos mortos após três dias, um evento testemunhado por algumas centenas de pessoas ao longo de quarenta dias.

Um evento de tamanha magnitude não ficaria livre de oportunistas, especialmente na política, como se vê em diversas tentativas de oferecer leituras ideológicas à trajetória de Jesus e das próprias tradições judaico-cristãs.

Vamos aos fatos:

Para os cristãos, o único texto enviado diretamente por Deus, sem intermediários, foi o Decálogo ou Os Dez Mandamentos. Esta é uma diferença clara em relação ao islamismo, já que para o muçulmano o Corão inteiro, palavra por palavra, teria sido ditado por Alá ao longo de 23 anos para Maomé. Na tradição cristã, a Bíblia é uma pequena biblioteca que reúne livros inspirados por Deus, escritos ao longo de 1600 anos por 40 autores diferentes.

Considerando dos Dez Mandamentos a palavra ditada e literal de Deus, uma rápida análise do texto basta para demonstrar qual posicionamento político se encontra mais próximo do Criador e de seus preceitos eternos:

Os três primeiros mandamentos, na versão católica, falam especificamente da fé:

1º – Amar a Deus sobre todas as coisas.
2º – Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
3º – Santificar domingo e festas de guarda.

O quarto se refere claramente à obediência, reverência e respeito aos pais e, subentende-se, aos mais velhos, experientes e superiores em geral:

4º – Honrar pai e mãe

Os cinco seguintes fornecem a base para nosso ordenamento jurídico, ético e moral:

5º – Não matar
6º – Não pecar contra a castidade
7º – Não furtar
8º – Não levantar falsos testemunhos
9º – Não desejar a mulher do próximo
10º- Não cobiçar as coisas alheias

Para seguir esse sistema, você precisa claramente amar e respeitar Deus, honrar e reverenciar a família, os mais velhos e experientes, não cometer atos de violência, não surrupiar patrimônio alheio, não mentir (especialmente quando sua palavra tiver o peso de um testemunho), não ser adúltero, ter controle sobre a própria sexualidade e respeitar a família do próximo. Reforçando o sétimo mandamento vem o décimo que avisa que você não deve sequer desejar o que é dos outros, o próprio pensamento já é, em si, pecaminoso. Sobre adultério e castidade, o próprio Jesus disse “todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher já adulterou com ela em seu coração”. Soa entusiasta do sexo livre para você?

Uma sociedade com indivíduos que valorizam as tradições, a família, que não matam, roubam, respeitam as leis, não mentem em juízo e nem pensam em ter a mulher ou o patrimônio do próximo é tudo menos uma sociedade onde não se confia em ninguém com mais de 30 anos, como queriam os revolucionários de 68, ou que o direito de propriedade depende exclusivamente da boa vontade do governo. Também não é uma sociedade em que a família natural é trocada sem cerimônia por “toda forma de amor”, ou seja, uma sociedade que segue os mandamentos ditados por Deus é tudo menos uma sociedade socialista. E é por isso que a esquerda mais ideológica odeia de forma tão visceral os cristãos.

Se uma sociedade cristã não é socialista, é bom lembrar que também não é uma sociedade anarquista. Num episódio que não deixa qualquer sombra de dúvidas sobre o tema, um grupo de fariseus tentou criar uma cilada para Jesus perguntando se era justo pagar impostos, na expectativa que Ele dissesse que não, o que faria Dele um criminoso. Jesus entendeu a armadilha e respondeu: “Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto!” Quando mostraram um denário a ele, disse: “De quem é esta imagem e esta inscrição?” Os fariseus responderam: “de César.” Jesus conclui: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

Em outra passagem, Jesus diz “não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.” Se ele não veio abolir a lei mas levá-la a perfeição, ele quer melhorar o que já existe e não reescrever do zero, o que é exatamente o pilar do pensamento conservador: evolução em vez de revolução.

Aos ser entregue aos guardas romanos, Jesus tomou uma bofetada e respondeu: “se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?” Jesus não questionou a autoridade, mas a “sentença” sem base probatória. Ele não disse “você não tem autoridade para me bater”, Jesus pediu uma prova do crime para justificar a punição.

Quando Pilatos, na conversa pouco antes da condenação, quis saber se Jesus se considerava um rei, Ele responde duas vezes: “meu reino não é desse mundo”. No Pai Nosso, Jesus diz a Deus “vem a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu”, o que sugere que para transformar a Terra no reino de Deus basta fazer sua vontade. Jesus não pleiteava um reino formal na Terra ou sugeria derrubar governos, tanto que diz a Pilatos: “não terias poder algum sobre mim se de cima não te fora dado”, o que pode ser entendido como uma legitimação divina da autoridade de Pilatos.

Paulo de Tarso, ou São Paulo, grande responsável pela popularização do cristianismo logo após a morte de Jesus, escreveu em Romanos: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação.” E complementou: “portanto, é necessário submeter-se, não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência. É também por essa razão que pagais os impostos, pois os magistrados são ministros de Deus, quando exercem pontualmente esse ofício. Pagai a cada um o que lhe compete: o imposto, a quem deveis o imposto; o tributo, a quem deveis o tributo; o temor e o respeito, a quem deveis o temor e o respeito.”

Uma sociedade baseada nos preceitos cristãos não é uma sociedade socialista ou anárquica, muito pelo contrário, ela é ordeira e respeita as leis naturais, a moral, as tradições, a propriedade privada e a família. Uma sociedade como a Ocidental nasce exatamente dessa matriz ideológica, com essa espinha dorsal que convive com o livre arbítrio e a liberdade dentro de um sistema de ordenamento jurídico, social e moral definido, estável e perene. Qualquer outra interpretação é heresia ou simplesmente ignorância.

Feliz Páscoa!

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Pacote anti-corrupção. Sim, você já viu isso antes.

No dia 6 de junho de 2005, a Folha chegava às bancas com uma entrevista-bomba de Roberto Jefferson e o Brasil ouvia, pela primeira vez, a palavra “mensalão”. A entrevista foi dada para a jornalista Renata Lo Prete, ex-editora da coluna Painel e hoje na GloboNews.

O país ficou de cabeça para baixo e 15 dias depois, em 21 de junho, José Dirceu deixava o cargo de Ministro da Casa Civil. Ele era, de fato, um primeiro-ministro improvisado e continuou mandando no PT e no Brasil ainda por muitos anos. Em seu lugar entrava Dilma Rousseff, também ministra e presidente do conselho de administração da Petrobras. Pois é.

Qual foi a resposta de Lula aos escândalos? Em 1 de junho, menos de um mês depois da publicação da entrevista na Folha, os jornais divulgavam o evento de lançamento do seu “pacote anti-corrupção” ao lado da nova ministra. O PT “não inventou a corrupção, ela tem 500 anos”, eles diziam, “é o PT que está investigando agora e por isso os casos estão aparecendo”.

O que fez Dilma hoje, 10 anos depois? Requentou a mesma marquetagem de Lula confiando na subserviência da imprensa, da oposição e na memória curta do brasileiro. Foram 10 anos e a roubalheira só aumentou, culminando com o Petrolão, um escândalo de fazer o mensalão parecer brincadeira de criança.

Aécio Neves, em mais um ato que fez tremer o chão de Brasília, chamou hoje o pacote de “paliativo” e ainda pediu a “ajuda” do PT para implementar novas medidas que seu partido pretende apresentar. Já dá para imaginar o cartaz que ele vai segurar de trás da janela de casa na próxima manifestação: “chega de paliativos!”. O PT não vai dormir essa noite.

O PT é o PT, não vai mudar. Quando é pego com a mão na cumbuca, primeiro nega, depois coloca a culpa na imprensa e nas elites, e no final demite dois ou três e lança leis “anti-corrupção” enquanto compra corações e mentes com dinheiro público. O mundo gira e tudo volta ao normal até o próximo escândalo quando começa tudo de novo.

Quem vai dar um basta nisso? Quem vai tirar essa quadrilha definitivamente do poder para sempre? Quem vai mostrar ao povo brasileiro que é preciso não só mudar nomes mas também o próprio conceito do papel do estado na economia e na vida das pessoas? Estamos de olho.

Originalmente publicado em http://t.co/dm00wlClbP

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Mais que um novo governo, precisamos de uma nova oposição

Aécio Neves poderia ter poupado seus 51.041.155 eleitores desse papel ridículo durante a maior manifestação popular até agora contra o governo e a favor da oposição que, em tese, ele é o representante número um.

Sua postura nesses últimos dias e especialmente hoje foi a antítese do que se espera de um líder. Líder é quem está à frente, de peito aberto, especialmente em momentos de crise, fazendo a leitura do cenário político e propondo caminhos, idéias e soluções. Ele representa os anseios dos seus liderados, articulando suas principais mensagens e dando o exemplo de coragem e força para energizar quem está com ele. O líder, perdoem a obviedade, lidera.

15074150O oportunista fica de fora, sem se comprometer, fazendo cálculos políticos a portas fechadas. Ele não tem princípios, ele tem estratégias. Ele não tem idéias, ele tem discursos escritos por redatores profissionais depois de pesquisas qualitativas. Se o povo fala, ele fecha a janela. Se o povo grita, ele diz psiu. Se o povo vai para a rua, ele fica em casa. Se o povo vai pra praça, ele vai para o whatsapp.

Aécio é o que temos, mas está muito longe de ser o que sonhamos. Ele não ajudou em nada as manifestações e agora está em casa imaginando como se aproveitar delas com seus assessores, consultores e estrategistas.

Em junho de 2013 havia povo na rua mas não havia pautas ou líderes. Hoje já temos pauta, o impeachment de Dilma, mas continuamos sem lideranças. É um pequeno avanço, mas ainda falta muito.

O que Aécio fez hoje foi imperdoável. Ele entrou na política por conta da loteria genética, parasitando a fama e o legado do avô. Hoje ele continua buscando o próximo cavalo para montar, mas sem criar marolas com os amigos e companheiros da baixa política de Brasília. Ele não está a altura de quem foi às ruas hoje pedindo um país melhor.

O Brasil precisa não apenas de um novo governo, precisa de uma nova oposição. Que a vergonha que Aécio causou em todos que foram às ruas hoje se transforme em força para buscar novos quadros políticos para o país.

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