Alexandre Borges

@alex_borges




Deixem fazer

A manchete da Folha de hoje é: “Governo busca apoio de elite empresarial para conter crise”. Diz a matéria: “Com os indicadores econômicos piorando e a instabilidade política reforçando o cenário de recessão, a presidente Dilma Rousseff irá recorrer aos líderes do PIB (Produto Interno Bruto) para tentar obter apoio e, assim, driblar a crise.” Nessas horas, um pouco de história pode ajudar.

Herbert Hoover (1874-1964), 31º presidente americano, era um engenheiro de formação que acreditava que grandes problemas poderiam ser resolvidos com planos, reuniões e acordos. Era um profissional brilhante, um self-made man que saiu do nada para fama, fortuna e para a Casa Branca, além de ser um dos maiores filantropos, talvez o maior, de todos os tempos. Apenas na Bélgica, durante a Primeira Guerra Mundial, salvou 9 milhões de pessoas da morte por inanição.

Hoover acreditava no papel ativo do estado na economia e na vida do país, o que na época se chamava “progressismo”. Durante os anos 20, nos mandatos de Warren G. Harding e Calvin Coolidge, era voz dissonante e voto vencido sempre que sugeria grandes intervenções do estado. Coolidge chegou a dizer sobre Hoover: “por seis anos esse homem veio me dar conselhos que eu não pedi – todos péssimos” . Ele chamava Hoover pejorativamente de “wonderboy” por sua insistência em trazer idéias mirabolantes.

Na foto, de 1928, Herbert Hoover (primeiro da esquerda para a direita) conversava com Henry Ford, pai da indústria automobilística e da linha de produção, Thomas Edison, dono de mais de 2.000 patentes como a da lâmpada elétrica, e Harvey Firestone, o fundador da empresa que por 80 anos liderou o mercado de pneus na América.

11800353_921586591232486_8684240723614468634_nEm outubro de 1929, durante o primeiro ano do mandato de Hoover, a bolsa americana desaba, é o crash que você conhece. A resposta do presidente ao caos econômico foi, claro, chamar empresários e líderes sindicais para conversar. Para Hoover, a crise era algo que notáveis como ele poderiam resolver com planos, idéias e reuniões. O resultado foi o início da Grande Depressão, que fez com que seu mandato terminasse de forma melancólica. Ele perdeu a eleição de 1932 para Franklin Roosevelt e saiu da Casa Branca com o povo xingando e jogando frutas no carro.

Lembre de um dos homens mais brilhantes da história, que quando queria discutir idéias sobre o país reunia de Thomas Edison à Henry Ford. Ele abriu caminho para a maior crise econômica de todos os tempos exatamente por achar que as soluções nascem em gabinetes fechados durante reuniões de luminares, barões da indústria e “representantes do povo”.

Quando Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), ministro das finanças de Luís XIV, reuniu comerciantes para saber deles o que o rei poderia fazer para melhorar a economia, ouviu uma resposta de um deles que entraria para a história: “laissez-faire” (deixe fazer).

O Brasil tem jeito, mas é preciso que gente que não tem um milésimo da competência, inteligência e criatividade dos que aparecem na foto do post parem que atrapalhar o país e cuidem de suas vidas, dando liberdade para que a economia se recupere com seus próprios recursos e sem ter seu capital tungado pelo estado. Em apenas duas palavras, eles precisam “deixar fazer”.

Chega de pobrismo

A esquerda brasileira, mais uma vez repetindo uma tática da esquerda americana, resolveu amedrontar potenciais doadores para movimentos liberais criando teorias conspiratórias sobre “quem está por trás da nova direita”. E sabe de quem é a culpa? Da própria direita.

A reação imediata de muita gente é “ei, eu não recebo dinheiro!” e é exatamente o que eles querem. De um lado, mandar alfafa ideológica para os retardados que realmente acreditam nesse tipo de chorume, de outro passar uma mensagem bem clara aos ricos e empresários: nem pensem em dar dinheiro para movimentos liberais, continuem dando para nós, ou vamos jogar o nome de vocês na lama.

A única maneira de enfrentar isso, a única, é criar um ambiente em que a doação privada seja bem vinda e popular, que ricos e empresários façam fila para dar dinheiro para movimentos liberais. Se você pedir desculpas, se ficar choramingando e dizendo “ai gente, eu juro que sou pobre”, o que é verdade, você não só mostrará a fraqueza do movimento como vai tirar qualquer possibilidade de deixar de ser pobre. Dinheiro não aceita ofensa.

Quando um rato da esgotosfera diz “você recebe dinheiro da CIA”, a única resposta possível é “recebo mesmo, inclusive estou comprando a empresa que você trabalha e vou tirar seu emprego”. Com bandido, vagabundo, escroque, você não racionaliza, não tem conversa inteligentinha, ou você ignora ou parte para o ataque. Deixem de ser trouxas!

Sem dinheiro, a direita que já é pequena, mínima, vai ser erradicada do planeta. Se não aprenderem de uma vez por todas a tirar dinheiro de quem tem dinheiro para financiar movimentos, ONGs, institutos, think tanks, seminários, cursos, jornais, blogs, vocês não tem uma única chance nessa briga, não dão nem para o começo.

Lênin disse que a burguesia briga para vender a corda que ele vai usar para enforcá-la. Churchill disse que o apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo na esperança de ser devorado por último. A esquerda mundial tem acesso a fontes de receita inimagináveis para nós e continua gritando que nós é que temos dinheiro. E como reagimos? “É, somos pobres mesmo, mimimi”. Ah, tenham dó!

Eu nunca recebi um único centavo de ninguém por ser “de direita”, “conservador” ou “liberal”, mas esse dinheiro seria muito bem vindo, recebido com festa, música e champanhe. Para conseguir dinheiro para qualquer coisa, comece aprendendo a falar a língua de quem tem dinheiro, conviva com eles, seja amigo deles, e mostre a eles o perigo de dar dinheiro para a esquerda e de não dar para nós.

Chega de pobrismo. Cadê o liberal ostentação? Onde estão nossos Donald Trump ou Steve Forbes? Até isso a esquerda produziu, colocando nas capas de revista Eike Batista, o “empresário do PT” que ostentava um riqueza amealhada nas franjas do estado.

Se você acha que o liberalismo gera mais dinheiro para toda a sociedade, que tal não ter preconceito contra dinheiro? É fácil culpar os ricos que não dão dinheiro para nós (ou seja, todos), mas o que estamos fazendo para que eles sintam vontade ou necessidade de financiar movimentos liberais? Eles são maus doadores ou nós somos maus levantadores de recursos?

Nunca diga a um rato que não recebemos dinheiro ou dê a impressão que receber dinheiro seria algo ruim. Ria da cara deles, diga que estamos nadando no dinheiro, e na paralela ajude a mostrar aos ricos do país os perigos que estão correndo ao alimentar o crocodilo.

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Entre mortas e feridas, salvam-se os bandidos de novo.

Danielly Rodrigues Feitosa, 17 anos, foi amarrada, surrada, estuprada, apedrejada e jogada de um penhasco de dez metros no interior do Piauí. Ela resistiu 10 dias aos ferimentos mas morreu no último domingo. Seu sonho era ser médica.

Ela estava com mais três amigas, todas vítimas desse estupro coletivo com tentativa de homicídio. Duas delas ainda estão hospitalizadas. Elas têm 15, 16 e 17 anos. Uma delas teve esmagamento no crânio e perdeu massa encefálica.

É um crime de fazer os terroristas do Estado Islâmico parecerem amadores. Uma brasileira de apenas 17 anos foi martirizada por conta da omissão de todos que permitem que esse ECA ainda exista. Entre mortas e feridas, salvam-se os bandidos de novo. Chega!

Dos cinco suspeitos desse crime bestial, hediondo, inaceitável, desumano e revoltante, quatro têm entre 15 e 17 anos de idade. Mesmo que condenados pelo crime, ficarão no máximo três anos detidos e depois sairão com a ficha limpa, sem qualquer menção ao crime. Poderão trabalhar num colégio, por exemplo, e ninguém terá a menor idéia de quem são e o que fizeram. Três dos “menores” já confessaram o crime.

Qual é a solução oferecida pelo governo, pela esquerda (incluindo o PSDB), pela imprensa e pelos sociólogos de entrevista? Desarmar a população e abstrações como “mais educação”. Gente asquerosa! Canalhas! Cúmplices!

Não deixe que a morte horrível de Danielly tenha sido em vão. Ou de Jaime Gold. Ou de milhares de vítimas de assassinos protegidos por um país moralmente perdido, politicamente destruído e ideologicamente intoxicado.

O brasileiro sabe que essa impunidade assassina tem que acabar, mas o eleitor não está sendo representado na política e na imprensa, que tem uma agenda própria e distinta da sociedade. Se os políticos e seus office-boys nos jornais não representam a sociedade é preciso agir.

É hora de você parar de aceitar passivamente que um bando de monstros insensíveis nas universidades e nas redações de jornal continuem permitindo essas mortes por conta de seus fetiches ideológicos. Não se intimide, você precisa pressionar os políticos a ouvir você. Eles andam com seguranças, carros blindados, seus filhos não correm os mesmos riscos que os nossos.

Se algum político apoiar a redução da maioridade penal e, especialmente, o endurecimento das penas, mostre publicamente seu apoio, elogie, compartilhe suas mensagens e diga a ele que sua atuação respeita a vontade do povo brasileiro.

Redução da impunidade penal já!

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Quem saiu da zona de conforto que atire o primeiro post

Alto lá!

O que esperavam da repercussão da Marcha, o William Bonner chamando o Kim na porta do Congresso e pedindo uma entrevista? Ou fazendo o JN ao vivo de lá? Ou quem sabe os “especialistas” da GloboNews dizendo com aquele ar grave e mão no queixo que foi um protesto fantástico? Ah, tenham dó!

Quem tem que repercutir a Marcha sou eu, é você, somos todos nós. Ele já fez a Marcha, agora cabe a nós continuarmos de onde ele parou. Ou fazer diferente. Quem saiu da zona de conforto que atire o primeiro post.

Alguém por acaso acha que o PT vai sair do poder apenas com posts de Facebook? Ou tercerizando tudo nas mãos de um menino de 19 anos e um punhado de amigos idealistas dele? Só podem estar de brincadeira.

Já basta o PSDB como sua oposição de araque e a canalhada de sempre falando mal de tudo que fazemos. É a natureza deles, é o que fazem, mas nós somos diferentes. Ou deveríamos ser.

Ninguém disse que ia ser fácil livrar o Brasil do PT. Nós que criticamos os tucanos temos que ser os primeiros a apoiar qualquer um que se coloque contra o governo, mesmo que seja um único brasileiro sozinho enrolado numa bandeira no meio da rua. Aliás, quanto mais sozinho, mais heróico é seu ato. Quem sou eu para bancar o ombudsman de protesto?

Esses meninos andaram de São Paulo a Brasília fazendo atos de cidade em cidade, foram recebidos pelo presidente da Câmara com vários políticos e protocolaram um pedido formal de impeachment contra a Dilma. Pode ficar na gaveta do Eduardo Cunha para sempre? Pode, mas alguém aí já fez alguma coisa remotamente parecida com isso?

Quantas pessoas começaram a Primavera Árabe? Uma! É claro que havia um sentimento difuso no ar de descontentamento, como existe hoje em relação ao PT, mas foi preciso que o tunisiano Mohamed Bouazizi, um camelô de 26 anos que vendia frutas para viver e sustentar a mãe viúva, fizesse um ato simbólico para que a Primavera Árabe começasse (um protesto liberal de um capitalista que não suportou mais os achaques e abusos do governo, diga-se). Rosa Parks mudou os EUA apenas por se recusar a trocar de lugar num ônibus. Paulo de Tarso, o São Paulo, um único homem evangelizou a região que circunda o Mediterrâneo, escreveu sozinho uma parte considerável do Novo Testamento e mudou para sempre a história do mundo. Nem sempre é preciso um exército inteiro para se vencer uma guerra.

Se você acredita no poder do indivíduo, que tal apoiar quando alguns abnegados saem da frente do teclado e vão se expor e tentar realmente mudar o país, mesmo que não seja na primeira, na décima ou na centésima ação? Imaginem os cristãos ao tomar a primeira paulada de um centurião romano se tivessem voltado para suas casas dizendo “é, não vai dar certo, deixa pra lá”.

Há 30 anos o país se uniu e foi às ruas pelas “Diretas Já”. O que aconteceu? Naquele momento, nada. A emenda constitucional Dante de Oliveira foi derrubada e no ano seguinte houve eleição indireta. Foram cinco longos anos até a primeira eleição direita, mas ela teria acontecido sem as manifestações de 1984? Um movimento não é uma vending machine que você coloca uma moeda e sai um refrigerante. Dá trabalho, leva tempo, é um caminho sinuoso mas alguém tem que começar.

Eu gostaria sinceramente de fazer um convite a todos os comentaristas e novos especialistas em marchas e mobilização de massas: por favor, já que você é tão profundo conhecedor do assunto, que tal criar você um movimento e tirar a Dilma do poder? Ou ao menos tentar? Quem sabe conseguir um pequeno mas significativo apoio para a causa? O Kim e seus amigos estão fazendo a parte deles. Deixe que façam do jeito que podem ou que sabem. Se você faz melhor, o que está esperando?

A esquerda levou quase todo século XX para chegar ao poder. Já foi um movimento pequeno, impopular, ignorado por todo mundo, mas seus primeiro líderes não desistiram com os primeiros resultados e frustrações. Eles tinham um ideal e faziam o que seu capital humano ou financeiro permitia. Deu certo para seus herdeiros e pode dar certo para nós se pararmos de cobrar e começarmos a arregaçar as mangas.

Como disse o Olavo recentemente, “quem não conhece o prazer de desobedecer é um escravo ou um tirano.”

Parabéns Kim, sou seu fã. O Brasil é um país melhor com você.

#YesWeKim

– “Como iniciar um movimento” (Derek Sivers) http://www.ted.com/talks/derek_sivers_how_to_start_a_movement?language=pt-br

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A “Última Hora” da Folha

Dezoito de abril de 2015, o dia em que a Carta Capital reconhece a força da campanha do impeachment e a Folha prefere repetir a versão governista de que é “desespero da oposição”. As aspas são minhas.

Na mesma capa, a Folha tenta dar ares de notícia ao ‘spin’ petista sobre o Implicante​, usando a velha tática de assassinato de reputações e falsas equivalências que a esquerda é inigualável. o que renderá um processo judicial pelo que diz o Fernando Gouvêa. Que se faça justiça.

Quando a Carta Capital parece a VEJA ao lado da Folha é porque o jornal de maior circulação do país está num momento crítico de sua história e precisa ser repensado. É o mesmo jornal que na semana do primeiro turno da eleição presidencial do ano passado disse que Aécio não iria para o segundo turno e depois deu capa para um “pobre” virando as costas para Aécio recusando um cumprimento.

O Brasil tem uma longa tradição de jornais governistas. O caso mais emblemático de todos foi a criação da Última Hora em 1951 por Samuel Wainer. Getúlio Vargas foi eleito em 1950 e usou a máquina do governo e o dinheiro do Banco do Brasil para que o país tivesse como seu principal jornal um veículo alinhado e obediente.

Wainer definiu a Última Hora como um “jornal de oposição à classe dirigente e a favor de um governo”, não deixando dúvidas sobre a que veio. De uma hora para outra nascia, do nada, um jornal com o maior e mais moderno parque gráfico do país, colorido (uma novidade para a época), trazendo diversas inovações e um time impressionante de colunistas e jornalistas. Não bastasse tudo isso, ainda era vendido mais barato que os concorrentes e tinha toda publicidade do governo e das estatais.

O que não estava nos planos era que do outro lado estava Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa. Se você não conhece a história da briga de Wainer e Lacerda na primeira metade da década de 50, saiba que o Brasil já foi muito mais interessante que hoje. Voltarei a esse assunto.

O que sobrou da Última Hora foi vendido para a empresa controladora da Folha em 1971. A viúva de Samuel Wainer, Danuza Leão, é colunista do jornal e o neto de Samuel, João Wainer, é o criador e chefe da TV Folha, além do diretor do filme “Junho”, patrocinado pela própria Folha sobre as manifestações de 2013. A história sabe mesmo ser irônica.

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