Alexandre Borges

@alex_borges




A sociedade das idéias mortas

Esqueça o que disse aquele programa do SBT, Pedro II foi o maior brasileiro de todos os tempos.

Em 58 anos como imperador, desde a abrupta renúncia do pai quando tinha apenas 5 anos de idade até a destituição em 1889, Pedro II transformou um amontoado de vilarejos numa nação livre, próspera e exuberante. Sob qualquer ponto de vista, o Brasil parecia destinado a ser uma das principais nações do mundo ao final do séc. XIX. Pouco mais de cem anos depois, fica claro que o país saltou na estação errada do trem da história e não dá sinais de que tem qualquer idéia do que aconteceu e, principalmente, de como embarcar de novo.

O improvável imperador que foi admirado por Graham Bell, Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, além de amigo de Richard Wagner e Louis Pasteur, era herdeiro do mulherengo e brigão Pedro I, que frequentava tabernas como o Henrique V de Shakespeare (havia até um Falstaff real, o Chalaça). Pedro II era o oposto do pai e, ao que tudo indica, uma cópia fiel da sua sofisticada e elegante mãe, a austríaca Maria Leopoldina, da casa dos Habsburgo, a família imperial que reinou por 700 anos na Áustria, o que incluiu o Sacro Império Romano-Germânico e o Império Austro-Húngaro. Maria Leopoldina foi também cunhada de Napoleão Bonaparte.

Maria Leopoldina foi desprezada por Pedro I e a causa da morte desta culta e cosmopolita imperatriz de uma das mais importantes famílias reais da Europa, grávida e aos 29 anos, ainda é controversa. Depois de 200 anos de rumores e polêmicas, seu corpo foi exumado por legistas da USP e o homicídio culposo, devido a uma agressão física atribuída ao imperador, foi descartado pelos legistas.

Mesmo que a causa direta da morte de Maria Leopoldina seja uma doença, o tratamento brutal e o assédio moral constante de Pedro I, as agressões verbais e as humilhações públicas com certeza não ajudaram seu estado de saúde. Durante as poucas semanas em que tivemos uma Habsburgo regendo o país, o Brasil se tornou independente de Portugal por um decreto assinado por ela em 2 de setembro de 1822. O marido foi avisado por carta em viagem à São Paulo e proclamou a independência cinco dias depois.

carte-de-visite-do-imperador-d-pedro-ii-philadelphia-1876-11212-MLB20041257339_012014-FPedro II foi um monarca que deu uma amostra do que o país poderia ser se tivéssemos instituições e governança de inspiração conservadora ou liberal como as principais civilizações do Ocidente. Sob qualquer aspecto, seu longo mandato não deixa a desejar a qualquer um dos grandes estadistas do mundo contemporâneo e é uma lástima as escolas não darem ênfase suficiente a um dos poucos acertos da história do Brasil.

Preparado para governar desde a primeira infância, Pedro II pegou uma nação em frangalhos e devolveu uma das mais vibrantes, prósperas e livres do planeta. Cento e vinte e cinco anos depois da sua deposição, é preciso entender o que deu tão errado para que o Brasil se tornasse o constrangimento político, econômico e social que é hoje.

Os EUA enfrentam sérios problemas econômicos, mas a nação mais próspera e livre que a humanidade conheceu ainda não tem do que se envergonhar quando comparada às outras. Um americano que nasce hoje entre os 20% mais pobres do país tem mais chances de terminar entre os 20% mais ricos do que se manter onde está. Se um americano tem pelo menos o segundo grau, é casado e teve o primeiro filho dentro do casamento, sua chance de ser pobre é de apenas de 2%. Com apenas 5% da população do planeta, os EUA produzem mais de 20% do PIB mundial. Depois de mais de trinta anos importando princípios econômicos ocidentais e com mais de um quinto da população do mundo, a China não chega a produzir 10% da sua riqueza. É uma diferença abismal e que ainda não dá motivos para que os antiamericanos comemorem o fim da civilização ocidental.

Com três mandatos presidenciais consecutivos do PT, o Brasil está numa situação pouco invejável. Nos últimos quinze anos, o país despencou no índice de competitividade global da 34a posição para a 51a entre 60 países avaliados pelo Institute for Management Development (IMD), uma vergonha. No mais importante ranking de liberdade econômica que existe, da Heritage Foundation com o The Wall Street Journal, o Brasil está na 100a posição entre 177 nações medidas e foi classificado como “majoritariamente sem liberdade”, a segunda pior classificação possível.

É desnecessário repetir a relação entre liberdade econômica e prosperidade, basta consultar a própria pesquisa anual da Heritage Foundation para ver a razão direta e auto-evidente entre a lista dos países mais livres economicamente, com ênfase no império das leis, combate à corrupção, menos gastos governamentais e respeito aos direitos de propriedade, com o crescimento do poder de compra dos cidadãos, PIB per capita, investimentos externos e erradicação da pobreza.

Há explicações para todos os gostos sobre o que faz uma nação prosperar. Para o historiador escocês Niall Ferguson, seriam seis fatores: livre concorrência, compromisso com a inovação e a pesquisa científica, respeito à propriedade privada, medicina de ponta, economia estimulada pelo consumo e ética “protestante”, na visão weberiana, do trabalho. Para o escritor indiano Ibn Warraq, o que viabizou a supremacia e o sucesso da sociedade ocidental foram idéias revolucionárias como o racionalismo, a autocrítica, a busca desinteressada da verdade, o estado laico, o império da lei e a igualdade do cidadão perante o judiciário, a liberdade individual, os diretos humanos e a democracia liberal. Com a devida vênia aos especialistas que trataram do tema, fico com George Gilder, o autor preferido de Ronald Reagan. Segundo Gilder, em seu recente livro “Knowledge and Power”, para uma nação prosperar é preciso liberdade, compromisso com a inovação e previsibilidade institucional.

Além de liberdade e inovação, itens óbvios e sempre presentes nas listas de pré-requisitos para o desenvolvimento, a previsibilidade institucional é um item lamentavelmente subestimado. Sem regras claras e instituições sólidas e perenes, não por coincidência as bases do conservadorismo político, o desenvolvimento econômico pleno é quase impossível no longo prazo. Não custa lembra que o esporte mais popular do mundo, o futebol, tem um conjunto simples e inteligível de regras que quase não mudaram em 150 anos.

O Brasil republicano atacou a liberdade política sempre que pode, desde a destituição de um imperador popular e incomparavelmente bem sucedido, até as diversas revoluções e golpes de estado que criaram um ambiente de instabilidade institucional que afugenta investimentos privados de médio e longo prazos.

Quando um estadista, depois de quase seis décadas no poder, deixa o país mais rico, livre e próspero, como nunca se viu antes ou depois, é importante que o Brasil aprenda, de uma vez por todas, para que serve o estado: garantir a segurança dos seus cidadãos, os respeito às leis e aos contratos, para deixar que a sociedade possa, com liberdade e trabalho duro, inovar e atrair os investimentos produtivos.

O público do SBT elegeu Chico Xavier como o maior brasileiro de todos os tempos e deixou Pedro II em vigésimo sétimo. O programa original, “The Greatests”, foi criado pela BBC e, na sua versão original, o povo britânico elegeu Winston Churchill. Faz sentido. Os ingleses escolheram um estadista conservador, já o Brasil vai ficando para trás enquanto conversa com fantasmas à espera de um milagre.

Publicado originalmente na revista Vila Nova

Sobre os tucanos no 13 de março

Anotações rápidas sobre uma possível participação dos tucanos nas manifestações de 13 de março:

– Comentei na minha página do Facebook já em 2013 que Aécio perderia, um ano antes da eleição. Só não poderia prever, evidentemente, a morte de Eduardo Campos. Minha fé em Aécio e nos tucanos, estes petistas que tomam banho, é zero. Link do post: http://on.fb.me/IawzXA

– Em 15/03/2015, publiquei um texto classificando como “imperdoável” a postura de Aécio nas manifestações daquele dia, vendo tudo da janela e sem dar qualquer apoio. Repeti que o país precisava de novas lideranças políticas e oposicionistas de verdade. O post provocou reações enfurecidas de muita gente que agora resolveu concordar com o que foi dito naquele texto. Antes tarde do que nunca. Link: http://on.fb.me/1LgdFNm

– Em 13/04/15, fiz mais um post criticando a chamada “oposição” e também essa aversão besta aos políticos de muitos puristas. Por mais que detestemos os políticos, é preciso vencer eleições e só se vence com eles. Essa idéia de “manifestação apartidária” é de uma inocência assustadora. Link: http://on.fb.me/1yocgyM

Dito isso, vamos lá:

– Não se deve rechaçar de antemão nenhum apoio real às manifestações, inclusive dos oportunistas, desde que defendam pautas que estejam dentro da democracia e que contribuam com a pressão necessária para viabilizar o impeachment. Não dá pra bancar a virgem do prostíbulo, nesse momento todo suporte é necessário para empurrar os políticos. Se os oportunistas estão vindo, é sinal de que estamos sendo vistos como o time que vai vencer no final.

– Nem todos acompanham política como você, nem todos são corajosos, bem informados ou intelectualmente equipados para perceber a direção do vento da história logo nos primeiros sinais. Tem gente que só está chegando agora ao barco do impeachment pelos mais diversos motivos, mas devem ser igualmente bem recebidos ou nunca teremos maioria. Deixe que apontar dedos para quem está ao seu lado, o inimigo é a esquerda, é o PT.

– Receber apoio é diferente de entregar o protagonismo do movimento, claro. Na primeira manifestação pós-reeleição de Dilma, em 1 de novembro de 2014, eu estava lá em cima do carro do MBL e lembro perfeitamente quem também estava. Ao meu lado, por exemplo, discursou Eduardo Bolsonaro. Ele estava lá, Aécio e Alckmin não estavam. Muito pelo contrário, eles ainda tentariam por meses esvaziar os movimentos. Não conseguiram e agora estão tentando entrar na festa. É tarde, muito tarde.

– Aécio e Alckmin não devem ser hostilizados se estiverem nas ruas como todos os brasileiros, com a bola baixa e entendendo que não são protagonistas ou líderes, apenas retardatários constrangidos e obscuros. É claro que não devem subir em carros de som e discursar, não fizeram nada, absolutamente nada, para merecerem esta distinção. E serão vaiados.

– Se discursarem, o que é (repito) um erro, as manchetes dos jornais na segunda-feira serão algo como “Líderes tucanos vaiados nas manifestações”. Podem apostar. É ruim para todo mundo e não podemos perder o controle da narrativa.

Tucanos são esquerdistas fisiológicos e oportunistas? São. Alguns estão enrolados com a justiça? Claro. Com a própria Lava Jato? Também. São iguais aos petistas? Não, apesar de ideologicamente próximos. São uma alternativa de poder para 2018? Não, mil vezes não! Há três partidos fora da esquerda atualmente e não há qualquer motivo para votar em candidatos que não sejam de algum deles: PSC, PSL e Novo. Veja mais sobre isso aqui: http://on.fb.me/1PJepNQ

Não tenho nenhum problema com tucanos andando nas ruas como todos os outros brasileiros. É só não convidar para subir no palanque, pois isso mudará o foco e o que está em jogo é o PT e o fim do governo Dilma, por mais que a imprensa e os petistas estejam loucos para mudar de assunto. Não vamos dar esse presente para eles.

Aprendendo economia com a Black Friday carioca

Uma lição urgente de teoria econômica para certos jornalistas de um não economista. Sim, eu sei que eles não vão ler, mas vá lá.

Começou no Rio a promoção de aniversário do Supermercado Guanabara. É um evento da cidade que gera imagens com as da Black Friday americana: filas enormes na porta desde a madrugada e depois uma multidão de consumidores invadindo as lojas e comprando tudo que encontram pela frente.

O jornalismo do Bananão já começou a publicar, entre um “Cunha” e outro, matérias e posts dizendo “cadê a crise?”, como se a crise fosse apenas uma criação maquiavélica de empresários malvadões que querem desestabilizar o governo. Basta um desses capitalistas gananciosos baixar os preços que a crise desaparece.

Queridos, tio Borges vai contar um pequeno segredo procês: baixar preços é a solução LIBERAL contra a crise. Quem não deixa preço baixar na crise são os socialistas que vocês apóiam no governo e a atual política econômica. Me acompanhem por favor.

Recessão para essa turma do governo e da imprensa é um problema de “expectativas” e de “falta de estímulos”. Eles acreditam que há algo de esotérico ou conspiratório nas crises, elas nasceriam ninguém sabe bem onde, como num passe de mágica ou por conta de “pessimismo” disseminado por motivos políticos para minar governos socialistas. O mau humor se espalha e faz com que todos os empresários, e não apenas os participantes do golpe, fiquem receosos e não invistam, cortem crédito, demitam, criando um círculo vicioso recessivo. O governo cai, eles colocam lá um deles e a economia volta a funcionar. Sim, dá uma preguiça enorme, mas eles realmente acreditam nisso.

O que estes socialistas recomendam para combater a crise? “Estímulos” à demanda. Funciona assim: o Banco Central reduz as taxas básicas de juros com uma canetada, tornando o investimento de longo prazo menos atrativo e empurrando tudo para o consumo imediato. Na outra ponta, o governo força bancos públicos e privados para uma explosão de crédito ao consumidor, que com dinheiro na mão compra os produtos encalhados, a indústria volta a produzir e o ciclo pessimista é vencido pela intervenção “anticíclica” do estado na economia. “É por isso que o governo precisa controlar e regular a economia, liberais!”

Há também ferramentas complementares que eles usam: implementar medidas protecionistas contra importados, tolerar aumento de inflação, fazer investimentos públicos em obras de infraestrutura, abrir linhas de crédito subsidiadas para empresas privadas criando “campeões nacionais”, fazer contratação em massa de funcionários públicos e por aí vai.

Ao fazer esses pacotaços, é claro que num primeiro momento a economia é “estimulada”, o PIB dá um salto, o desemprego cai, o varejo volta a vender, mas as conseqüências a médio e longo prazos são desastrosas como estamos vendo, como sempre vemos quando esse tipo de feitiçaria é aplicada.

“Ah, seu conservador, então qual é a solução?”

Caro pixuleco, sem entrar em tecnicalidades, entenda que uma recessão é normalmente (com exceções, claro) sintoma de uma perda de competitividade da economia, um desajuste entre produtores e consumidores, entre oferta e demanda. Não é a única razão, mas é um dos fatores que mais contribuem.

O cidadão vê um quarto e sala em Copabacana, por exemplo, e o corretor diz que custa um milhão de reais. O interessado não compra e todo mundo sai gritando “crise!” quando na verdade há um consumidor em potencial que apenas achou o preço alto demais.

“Mas um milhão é o preço de mercado!”

Preços flutuam, o preço de um produto numa economia livre (e essa é a sua maior força) é fixado pelo consumidor, o produto vale tanto quanto o consumidor está disposto a pagar. Se os consumidores em geral avaliam que aquele apartamento vale 500 mil e estão dispostos a pagar 500 mil, ele VALE 500 mil.

“Só que o dono do imóvel comprou por 900 mil, se vender por 500 mil ele terá prejuízo”

Se comprou o imóvel por um preço e ele se desvalorizou, ninguém pode ser culpado pelo erro de cálculo, é um investimento de risco como qualquer outro. Ele só vai “realizar a perda” se vender por 500 mil, é uma opção que ele tem, mas o dono do imóvel pode também não vender esperando uma valorização futura. É assim que a economia livre funciona.

“Até agora não entendi o que o governo e os socialistas têm a ver com isso”

O problema é o governo querer se meter nesse momento e dizer “ok, vou fazer o Banco do Brasil financiar o imóvel por R$ 1 milhão para estimular a economia”. No discurso parece algo positivo, mas na vida real o que o governo está fazendo é mantendo o preço alto artificialmente para salvar um mau investimento de um dono de imóvel às custas de toda sociedade e do comprador em particular, já que ele vai assumir uma dívida de um imóvel por R$ 1 milhão quando ele “vale” 500 mil, o que é uma brutal transferência de renda do consumidor para o dono do imóvel. É uma medida concentradora de renda!

“Mas o dono do imóvel comprou caro induzido pelo governo, agora vai ficar com o mico na mão?”

Infelizmente alguém vai, mas que sirva de lição para não confiar em governos e, principalmente, não eleger políticos que apóiam intervenção estatal na economia. Numa crise, há realmente uma reavaliação dos preços dos ativos e essa é a única maneira sustentável de vencer a crise. Ao sair da recessão, a sociedade estará mais experiente e menos propensa a embarcar em novas aventuras.

Esse exemplo do imóvel ilustra em parte o que aconteceu na economia brasileira como um todo nos últimos anos (sim, sei que há outros fatores como a alta do dólar, por exemplo). Ao criar um bolha de crédito, o governo fez com que uma quantidade enorme de dinheiro fosse transferida para empresários que venderam produtos artificialmente caros, com margens de lucro injustificáveis (suficientes para dividir uma parte com os companheiros na política), enquanto o consumidor ficou com uma dívida que vai ter sérias dificuldades para pagar e com um produto que não vai conseguir revender pelo preço pago. Quando milhões de consumidores perdem a capacidade de pagar seus empréstimos, o governo entra novamente para “salvar os bancos” às custas de toda sociedade e ainda colocar a culpa no “capitalismo”, quando a culpa é evidentemente do intervencionismo.

Tudo isso seria evitado se o governo simplesmente não se metesse. Os liberais sabem que produtos encalhados não significam necessariamente falta de capacidade de pagamento dos consumidores, muitas vezes é apenas falta de vontade de comprar os produtos pelos preços atuais. Com a queda dos preços, as vendas voltam de uma maneira natural e espontânea, reajustando a economia sem pacotes, sem a criação de uma nação de endividados e de uma meia dúzia de empresários beneficiados pela ajuda dos companheiros no governo.

Numa crise, o consumidor naturalmente realiza substituições: se o produto A está caro, ele compra o produto B. O produto A encalha e força o vendedor a baixar o preço para desovar o estoque, além de premiar o vendedor do produto B que está sendo oferecido por preço mais competitivo. Se o governo se mete para tabelar o preço do produto A nas alturas, o competidor mais eficiente vende menos e o consumidor acaba transferindo renda para o produtor ineficiente do produto A. Tudo errado.

Se você um dia ouvir falar em “Supply Side Economics” (Economia pelo lado da oferta), que é a política econômica que marcou o governo Reagan, ela guarda um parentesco com esse mesmo raciocínio: com menos intervenção, menos impostos, os empreendedores vão à luta e brigam entre si pelo consumidor fazendo a economia cada vez mais eficiente. Os intervencionistas acham que isso é “concorrência predatória” e preferem tabelar preços, fazer acordos setoriais, barreiras protecionistas e, claro, dar choques de crédito quando os produtos encalham.

Quando o Supermercado Guanabara baixa os preços e há uma corrida às suas lojas, ele está provando que a solução liberal é a melhor, já que há sempre consumidores para produtos com preços percebidos como baixos. O maior estímulo para uma economia é, portanto, cortar impostos e gastos públicos, diminuir as regulações paralisantes e deixar de criar pacotes de estímulos. A economia sabe se virar e se ajustar quando o governo não se mete.

Sei que é impossível explicar isso para os socialistas, mas não custa tentar mais uma vez: é o governo intervencionista que mantém os preços artificialmente altos, tranferindo renda do consumidor para meia dúzia de empresários e criando um país de endividados. Eles não inventaram isso, é exatamente como funcionava a economia da Itália fascista, o tal “estado corporativo” de Mussolini.

No dia que o país entender isso teremos alguma chance de crescimento sustentável.

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Polícia para quem precisa de polícia

Começou neste final de semana a “Operação Verão” nas praias cariocas. Mais de 700 policiais, 300 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública e da Guarda Municipal, participaram da ação. Resultado? Nenhum arrastão, clima de tranqüilidade e paz. Parabéns aos envolvidos.

“Ah, então você está defendendo uma sociedade vigiada, com policiais em todos os lugares?” Não! Mas é óbvio, claro, cristalino e evidente que o pilar de qualquer sociedade é a ordem pública, é a partir da ordem que derivam. como alertou Russell Kirk, liberdade e justiça. De que adianta a liberdade de abrir uma lanchonete se todos os dias ela for invadida por uma horda de baderneiros que incomode e assedie seus clientes até que eles não voltem mais? Como implementar a igualdade entre os sexos numa sociedade em que mulheres são apedrejadas nas ruas?

O que muita gente não entende é que o policiamento ostensivo, o patrulhamento ou até algumas guerras são consequência e não causa, elas são uma reação dos “anticorpos” da sociedade ou de um planeta que está doente, caótico e desesperado em busca do equilíbrio. As forças de repressão ou vigilância muitas vezes são como leucócitos de um corpo social enfermo e debilitado.

Quando se defende o policiamento para evitar arrastões não é por qualquer tara ou obsessão por um ambiente patrulhado, mas o reconhecimento da necessidade e urgência do restabelecimento da ordem, este sim o primeiro objetivo de uma política responsável, inteligente e moral, que mire no verdadeiro bem estar social, aquele que garante sua tranquilidade para ir e vir em segurança, tranquilidade e paz para todos.

Revolucionários, engenheiros sociais e utópicos em geral detestam a idéia de ordem porque ela é o muro que impede o avanço da agenda de destruição dos pilares sociais e a construção de uma nova sociedade a partir de suas obsessões ideológicas. Se você quer, como disse Barack Obama, “transformar fundamentalmente” uma sociedade, o caos é seu amigo, é um instrumento para quebrar resistências.

Com desordem, violência, saques, arrastões, a sociedade perde seus alicerces e entra numa espiral de anomia que abre espaço para o surgimento de líderes populistas, “homens fortes”, imperadores ou ditadores. Foi a terra arrasada da Revolução Francesa, que começa simbolicamente com a invasão de um presídio, que abriu espaço para Napoleão Bonaparte. Foi o caos da República de Weimar que pariu Adolf Hitler.

Como chegar a uma sociedade ordeira sem patrulhamento e espionagem em todo lugar? De novo, Russell Kirk dá o caminho: “se você quer ordem na sociedade, primeiro é preciso que haja ordem na alma de cada indivíduo.” Quanto menos ordem “interna”, mais necessidade de ordem “externa”. Para Edmund Burke, pai do conservadorismo moderno, “a liberdade não existe na ausência da moralidade”. John Adams, segundo presidente americano, disse: “nossa Constituição foi feita apenas para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para governar qualquer outro.”

Para revolucionários e utópicos, o homem tem uma natureza essencialmente boa e é a sociedade que estraga essa propensão ao bom, belo e justo. Ao ver a sociedade atual como um tóxico que envenena homens bons, nasce o espírito revolucionário que quer tocar fogo em tudo e reconstruir o mundo em novas bases para dar à luz ao homem novo. Quase todas as barbáries do século XX, o mais sangrento da história, nascem dessa idéia torta. E nada pode ser mais distante do que pensam os conservadores.

O conservador acredita na natureza imperfeita do homem, que carrega em si a semente do bem e o mal. A sociedade utópica e “perfeita” é impossível porque o homem é imperfeito. O que se pode almejar é a busca do melhor arranjo possível, mesmo que imperfeito, e em constante evolução. Como resumiu Kirk, “se você quer que os homens procurem, de maneira refletida e prudente, reconciliar o melhor da sabedoria dos nossos ancestrais com as mudanças essenciais para a existência de uma sociedade civil vigorosa, é melhor buscar os princípios conservadores. As melhores mentes conservadoras acreditam em princípios, em valores perenes aperfeiçoados pela sabedoria das gerações anteriores, no estudo da história, casados com as circunstâncias do tempo presente. Ele é alguém razoável, mesmo que tenha uma profunda suspeita do culto à racionalidade, da conversão a uma racionalidade abstrata que acredita que planos mundanos serão capazes de resolver nossas dificuldades do espírito e da vida em comunidade. O conservador com espírito mais elevado detesta abstrações ou as paixões que forçam os homens e a sociedade a um padrão pré-concebido totalmente divorciado das circunstâncias especiais de cada época e país.”

adolescente-flagrado-roubandoA resposta conservadora aos arrastões não é o flerte com a desordem e a piscadela que a esquerda dá para o caos, muito menos as abstrações do jornalismo anencéfalo como “mais oficinas de escultura em garrafa PET e aulas de capoeira nas comunidades”. Ao se prestigiar as famílias e buscar uma sociedade de crianças criadas preferencialmente pelos próprios pais biológicos, que prestigie a moral, o respeito, a ordem e a lei, haverá muito menos jovens soltos nas ruas roubando “por prazer” ou para comprar drogas, já que o “thug life” não será um comportamento social glamourizado, incensado, adulado, bajulado e festejado pelo cinema, novelas, música pop, celebridades, professores e certa intelectualidade, assim como a destruição das famílias e a transformação das salas de aula em centro de mobilização e treinamento de marginais.

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento marcada por dúvidas, por um excesso de energia e hormônios à flor da pele, mas também e principalmente pela tentativa de afirmação da própria identidade e individualidade como adulto. Se os professores destes jovens nas escolas negam a eles o acesso à leitura dos clássicos e da informação sem doutrinação, se são criados num ambiente sem respeito e moral dentro da própria família, se ouvem o dia inteiro que é a sociedade “injusta” e “excludente” que impede sua ascensão social, o que eles vão fazer? Servir alegremente como bucha de canhão para a derrubada da ordem vigente, será um voluntário da causa revolucionária como um agente do caos. E é por isso que revolucionários buscam incessantemente influenciar e encantar jovens com suas mensagens e comandos, que respondem falando alto para esconder suas próprias fraquezas, incertezas e dúvidas.

O policiamento ostensivo pode não ser agradável, mas é necessário como prevenção e urgente em meio à desordem. Compare os dois últimos finais de semana cariocas, um sem polícia e outro com. A realidade é teimosa, ela não cansa de desmentir os sociólogos de entrevista e os teóricos de pé quebrado.

Enquanto a polícia restabelece a ordem, aproveite para refletir sobre os motivos reais desses adolescentes estarem nas ruas, buscando diversão no crime e rindo do vizinho da mesma idade, criado nas mesmas condições sócio-econômicas, e que está estudando e sonhando com uma carreira e com a possibilidade de ter a própria família um dia.

Se você acha que jovens são, em geral, incapazes de estudar, trabalhar e produzir, continue prescrevendo gangsta rap, drogas, orgias e curso de percussão em latas. Se você não tem esse tipo de preconceito, ajude a criar um ambiente em que a ordem, a justiça e a liberdade permitam que ele busque sua ascensão social no trabalho, no empreendedorismo e no oferecimento de idéias, bens e serviços que a sociedade valorize, busque e opte por adquirir. É na livre associação entre os indivíduos, num ambiente de ordem e paz, que está a saída.

– “Eu roubei porque quis, por prazer” http://on.fb.me/1ViH3HS

– O pais das Eufrásias e Ediths http://on.fb.me/1KFBJX6

– Angela Moss, a estrela dos vídeos dos anos 90 com ofensas racistas http://on.fb.me/1iwUm5C

– “Mais uma jabuticaba brasileira: o sociólogo de entrevista” http://bit.ly/1vDHgYX

– “Arrastão: modalidade olímpica incentivada pela esquerda” (Felipe Moura Brasil) http://abr.ai/1NMEV5i

Você precisa de Contexto

O terceiro episódio do programa Contexto já está no ar!

Como aconteceu nos dois episódios anteriores, o podcast chegou ao primeiro lugar na categoria “Notícias e política” da iTunes Store Brasil. O programa comenta as notícias da semana e é apresentado por mim, Felipe Moura Brasil e Bruno Garschagen. A produção musical é do Filipe Trielli.

Para assinar e acompanhar:

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Contexto_-_Liderança

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