“Não me fale de Revolução”

No ótimo filme de Sérgio Leone “Quando explode a vingança“, um mercenário irlandês, John Mallory, com experiência em revoluções, é chamado para ajudar os revolucionários mexicanos. No caminho ele recruta o bandido de estrada e miserável Juan Miranda para a causa. O diálogo que segue é um dos muitos momentos marcantes desse excelente filme. (Ative as legendas em português caso precise)

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Um comentário para ““Não me fale de Revolução”

  1. tiagombp

    Muito bom, fez-me lembrar do prefácio de “História Concisa da Revolução Russa”, do professor Richard Pipes. Transcrevo um trecho aqui:

    Historiadores observam que rebeliões populares são conservadoras, objetivando a restituição de direitos tradicionais injustamente cancelados; mirando o passado, suas intenções são específicas e limitadas. Os “cahiers de doléances” — listas de queixas — apresentados pelos camponeses franceses, em 1789, e, com outro nome, pelos camponeses russos, em 1905, elencavam reivindicações concretas que o sistema vigente bem poderia ter satisfeito.

    São os intelectuais radicais que transformam as demandas imediatas em uma força destruidora que tudo consome. Eles não desejam reformas, mas a obliteração completa do presente, para criar uma ordem inédita, fundada numa mítica Idade Dourada. Originários em sua maioria da classe média, os revolucionários profissionais consideram-se os únicos a expressar os verdadeiros interesses das “massas”, cujas modestas reivindicações eles desprezam. Pela insistência de que nada pode ser mudado para melhor a menos que tudo seja mudado, convertem as revoltas populares em revoluções. Essa filosofia, mistura complicada de idealismo e luxúria pelo poder, abre as portas a um conflito permanente. E uma vez que a sobrevivência das pessoas comuns vincula-se a um ambiente estável e previsível, todas as revoluções pós-1789 têm terminado em desastre.

    Demandas populares, portanto, explicam apenas em parte as revoluções, que não se realizam sem a infusão das ideias radicais. Seria difícil imaginar as revoltas que sacudiram a Rússia depois de fevereiro de 1917 sem o colapso da ordem pública, pressionada por uma guerra mundial que o governo em exercício não podia enfrentar. O que levou o país a uma torrente sem limites da utopia extrema foi o fanatismo dos intelectuais que, em outubro de 1917, tiraram vantagem da crescente anarquia para assumir o poder em nome do “povo”, sem ousar, uma única vez sequer, nem então ou durante os 70 anos seguintes, obter um mandato popular.”

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